O ex-presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro português, Durão Barroso, considerou esta terça-feira à margem de um encontro no Estoril que a que a aplicação de sanções a Portugal pela União Europeia (UE) “depende muito do que o Governo português disser e fizer”.

“Em relação às sanções, depende muito do que o Governo português agora disser e fizer. Penso que o mais importante para os parceiros europeus é averiguar até que ponto é que Portugal está verdadeiramente decidido a manter as reformas estruturais e a manter prudência orçamental”, afirmou aos jornalistas no final de uma sessão em torno da UE no Estoril, organizada pelo Estoril Political Forum e o Instituto de estudos políticos da Universidade Católica, em associação com o International Forum for Democratic Studies (Washington DC).

“Se os parceiros de Portugal acharem que Portugal entrou num caminho de irresponsabilidade, então há uma probabilidade grande de aprovarem sanções”, assinalou, apesar de admitir um cenário menos penoso para o país.

“Se o Governo português mostrar que está seriamente a tentar pôr a casa em ordem, vai continuar as reformas estruturais, então não haverá consequências económicas negativas tomadas.”

O ex-primeiro-ministro do governo PSD sublinhou a necessidade de Portugal corrigir a sua situação orçamental e a dívida, ao salientar que “um país que está a pedir ajuda aos outros está sempre de alguma forma condicionado”.

Apesar de sustentar que o país mantém “plenamente” em termos jurídicos o mesmo estatuto que os restantes Estados-membros da União, Durão Barroso referiu-se a uma situação de debilidade.

“A verdade é que um país que há pouco tempo teve de pedir ajuda financeira porque ele próprio não era capaz de se autofinanciar, viu o seu estatuto algo debilitado”, numa referência ao que definiu como uma “razão política fundamental, existencial” para um país.

“É por essa razão também (…) que não é bom ter-se dívida excessiva, não é bom ter-se défices excessivos. Não é por uma questão contabilística, é por uma questão de dignidade do país. Um país se quer contar no âmbito mundial não deve estar de mão estendida. É por isso que é importante que Portugal corrija a sua situação”, concluiu.