A comissão parlamentar de Saúde visitou esta terça-feira o Centro Hospitalar São João e o Instituto Português de Oncologia (IPO), no Porto, e considerou necessário “flexibilizar a contratação” de profissionais da área e dar mais autonomia aos hospitais.

Estes foram os únicos aspetos em que os deputados, representantes dos diferentes partidos, estiveram de acordo, divergindo em questões relacionadas com a qualidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS), falta de pessoal ou financiamento, adianta a Lusa.

Miguel Santos, do PSD, e Isabel Galriça Neto, do CDS-PP, consideraram que os hospitais precisam de mais profissionais de saúde, mas que isso não compromete os serviços de “qualidade” prestados aos cidadãos.

Por seu lado, Ivo Oliveira, do PS, e Carla Cruz, do PCP, salientaram que os hospitais passam por “dificuldades” causadas pelas opções do atual governo, assente essencialmente no corte do orçamento.

Em jeito de balanço, o deputado social-democrata frisou que as duas unidades de saúde são exemplo de boa gestão, prestação de serviços de qualidade e inovação.

Além disso, lembrou o investimento que o atual governo tem feito no IPO/Porto ao longo dos anos, desmentindo as notícias que, há umas semanas, davam conta de cirurgias adiadas.

“Isso [adiamento de cirurgias] acontece pontualmente perante factos extraordinários como, por exemplo, greves, mas são recuperadas nos dias seguintes”, disse.

Com a mesma opinião, Isabel Galriça Neto salientou que o norte do país tem serviços de saúde que são um “orgulho” porque respondem às necessidades dos cidadãos.

Apesar de reconhecer que existem problemas e necessidades, nomeadamente quanto ao número de profissionais existentes nos hospitais, a deputada do CDS-PP entendeu que isso não compromete os serviços prestados. “Pelas visitas que fizemos, quer ao Hospital São João, quer ao IPO/Porto, verificamos que estão na dianteira da inovação, o que é ótimo”, salientou.

Por seu lado, o socialista Ivo Oliveira lembrou que as necessidades na saúde se mantêm, tendo o governo de atuar. “Quando olhamos para as instituições de saúde verificamos logo que faltam profissionais de saúde, provocando, muitas vezes, adiamento de cirurgias”, adiantou.

Por esse motivo, Ivo Oliveira frisou ser necessário haver um maior investimento na saúde e a agilização de determinados processos, nomeadamente no que se refere à contratação de pessoal.

“O PCP entende que as dificuldades sentidas pelos hospitais são decorrentes das opções políticas do governo, nomeadamente corte no orçamento da saúde, diminuição do financiamento e não contratação dos profissionais em falta”, avançou Carla Cruz.

A deputada entendeu que os problemas do SNS exigem o reforço do financiamento, a contratação de profissionais e o reforço dos cuidados de saúde primários permitindo, assim, a acessibilidade dos utentes a serviços de saúde de proximidade. O governo tem de agir rapidamente, terminou.