O ex-inspetor da Polícia Judiciária Pedro Amaral confirmou esta quarta-feira na comissão de inquérito ao caso Camarate que foi afastado da investigação na sequência de uma conversa com o então diretor adjunto Garcia Marques.

Pedro Amaral disse ter sido chamado por Garcia Marques «na semana a seguir ao Natal [de 1980], talvez uma segunda-feira» e que o ex-diretor adjunto da PJ lhe perguntou, «muito enervado», se assumia a responsabilidade por aquilo que escreveu no relatório.

O ex-investigador da PJ referiu que respondeu a Garcia Marques que assumia toda a responsabilidade «sem retirar uma vírgula».

Em causa estaria uma «pequena» parte do relatório em que o inspetor admitia, ainda que em teoria, que teria que se deixar em aberto a hipótese de atentado caso não fosse encontrada uma «explicação técnica e científica» para uma questão que lhe suscitou dúvidas.

Na audição, o deputado do PSD Miguel Santos considerou «insólito» que tivessem sido destacadas duas equipas diferentes para investigar a queda do avião: a equipa de homicídios da Polícia Judiciária desde a descolagem até ao local da queda e a equipa da aeronáutica civil desde a entrada do aeroporto até à descolagem.

Segundo Pedro Amaral, Garcia Marques terá referido possíveis explicações técnicas que justificariam as dúvidas levantadas pelo ex-inspetor.

«E eu disse, nesse caso, está resolvido», descreveu, como cita a Lusa.

No dia seguinte à reunião de Pedro Amaral com o diretor adjunto da PJ, é assinado um despacho em que o ex-inspetor é retirado da investigação, que é entregue na totalidade à direção de aeronáutica civil, disse registar Luís Filipe Rocha, um dos representantes dos familiares das vítimas, que também participam na comissão de inquérito.

A 10ª comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes».