O secretário-geral do PS, António Costa, considerou hoje o comboio fretado pelo partido para a festa de verão socialista em Caminha como um “serviço comercial absolutamente normal” e que é prestado a qualquer cliente.

Questionado pelos jornalistas durante uma visita aos Passadiços do Paiva, em Arouca, distrito de Aveiro, realizada enquanto primeiro-ministro, António Costa notou que “um comboio fretado é um serviço prestado a qualquer cliente”.

António Costa acabaria por não responder completamente à questão, que confrontava o líder do PS com uma notícia do Observador, segundo a qual a CP “aceita os atrasos resultantes a outros comboios” para que circulem comboios fretados para a Festa de Verão do PS.

Aquele jornal online acrescenta que os comboios que vão levar vários militantes socialistas desde o sul do país até à festa da rentrée socialista, em Caminha, são prioritários e, se for necessário, podem atrasar o serviço regular da CP pelas zonas em que passa.

O percurso de ida e volta, diz o Observador, é Santa Apolónia-Pinhal Novo-Caminha.

O secretário-geral do PS regressa, no sábado, ‘à estrada’ depois da pausa de verão, com uma “festa” no Alto Minho, a marcar ‘rentrée’ dos socialistas.

O discurso do líder socialista e primeiro-ministro está marcado para as 17:00, depois da intervenção do presidente da Federação do PS de Viana do Castelo e autarca de Caminha, Miguel Alves.

Antes da “Festa de Verão”, que terá as tradicionais tasquinhas e a música do Grupo de Bombos de Gondar, Grupo de Gaiteiros de Rio Mouro, Grupo de Baile Tradicional de Castro Laboreiro, Grupo Folclórico das Lavradeiras de Orbacém e Rusga dos Amigos de Sá, o secretário-geral do PS terá um almoço com mulheres socialistas.

PSD considera “incompreensível” comboios especiais

O deputado social-democrata Carlos Silva considerou hoje "incompreensível" o recurso a comboios especiais para transportar militantes socialistas para a “Festa de Verão do PS”.

É incompreensível para o PSD que a CP esteja neste estado e o PS, como partido que suporta o Governo, deverá ponderar e pensar como vai resolver o problema futuro da CP. Agora, também achamos incompreensível que a CP sobreponha a outros serviços este serviço especial. Não compreendemos que os portugueses possam vir a ser prejudicados por este serviço especial do PS", disse, em declarações aos jornalistas no parlamento.

"Isto é uma decisão da administração [da CP], que fez um frete ao PS", acusou Carlos Silva, lamentando a situação problemática dos serviços de transporte da CP e suas consequências para os utentes em geral, uma vez que deverão registar-se atrasos noutras ligações.

PCP desvaloriza polémica

O PCP desvalorizou hoje a polémica sobre o comboio especial contratado pelos socialistas, mas reiterou as críticas ao desinvestimento na ferrovia que “o atual governo do PS tem mantido”.

A contratação de serviços por diversas entidades com empresas de transportes - rodoviários, ferroviários ou outros -, enquanto prática comercial legítima e natural, não merece particular comentário" do PCP, lê-se numa nota dos comunistas.

Na nota, intitulada “sobre os reais problemas no transporte ferroviário e as manobras de diversão”, os comunistas defendem que este tipo de serviços contratados “devem ser feitos no respeito pela oferta regular prestada pelas empresas”.

O que não é aceitável, acrescentam, “é que, em nome do imprescindível serviço regular, se pretenda percorrer um caminho que conduza à legitimação de futuras discriminações ditadas por razões políticas”.

Os problemas dos transportes públicos e em particular do transporte ferroviário, designadamente do serviço da CP, radicam em anos de desinvestimento de sucessivos governos em que avultam as responsabilidades do Governo PSD/CDS, desinvestimento que o atual governo do PS tem mantido. O que se exige são respostas centradas nos reais problemas e a adoção de medidas inadiáveis como o PCP tem reiteradamente colocado”, lê-se no comunicado.

"Urgência de investir”

Já o Bloco de Esquerda, defende a "urgência de investir" na ferrovia em Portugal, questionando o Governo sobre os "investimentos e reforços" na CP decididos há um ano e ainda não foram realizados.

Aquilo que o BE tem vindo a dizer é que urgente investir na CP. É, aliás, para nós difícil de explicar, e eu julgo que é a essa pergunta a que o Governo tem que responder, é como é que depois de há um ano, e nomeadamente no diálogo com os sindicatos, ter sido decidido uma série de investimentos e de reforços, que esses investimentos não tenham existido", apontou Catarina Martins, em Fafe, à margem da inauguração da sede do BE naquele concelho do distrito de Braga.

Para a coordenadora nacional do Bloco, a questão levantada com possíveis atrasos devido ao frete de um comboio pelo PS para o arranque do ano político, marcado para sábado, em Caminha, não "é bem uma questão".

Na verdade, ainda não percebi muito bem a notícia, houve um comboio que foi fretado segundo as regras e quanto a isso não tenho nenhum problema, os atrasos na CP tem outra razão", respondeu quando confrontada com a questão.

Catarina Martins lembrou que "este verão, em particular", se registaram "falhas graves" nos serviços da CP, voltando a insistir na falta de investimentos naquela empresa como explicação.

CP diz que "há décadas" que tem "comboios especiais"

A CP esclareceu hoje que "há décadas" que realiza "comboios especiais", tendo sido feitos 1.706 no ano passado, e garantiu que a sua circulação "é programada", pelo que "não afeta a realização de outros comboios".

A CP realiza, há décadas, comboios especiais para os mais diversos clientes. Em 2017, foram realizados 1.706 comboios especiais e até 23 de agosto de 2018 775 comboios. Sempre que se realiza um comboio especial, a CP solicita o respetivo canal horário ao gestor da infraestrutura, uma vez que os mesmos não estão integrados na circulação programada e regular. A IP [Infraestruturas de Portugal] analisa a viabilidade do pedido do operador ferroviário e, em caso positivo, emite um documento designado Carta Impressa, que contém os detalhes técnicos da marcha do comboio em causa. Este é um procedimento regular, no dia-a-dia das operações ferroviárias", explica a empresa em comunicado, garantindo que "a circulação é programada e, portanto, não afeta a realização de outros comboios".

Acrescenta que entre os clientes de comboios especiais realizados pela CP "contam–se entidades de naturezas diversas, designadamente, empresas, associações, grupos de cidadãos, clubes desportivos, partidos, festivais de música, autarquias, entre outros, desde que existam condições operacionais para os realizar, nomeadamente a disponibilidade de canal horário por parte do gestor da infraestrutura e o acordo mútuo relativamente às condições comerciais acordadas".