O Movimento «Que se Lixe a Troika» exigiu hoje a demissão do Presidente da República e do primeiro-ministro durante as comemorações oficiais do 5 de Outubro, em Lisboa.

À chegada ao salão nobre dos Paços do Concelho, onde decorrem as comemorações do Dia da Implantação da República, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, foram vaiados pelos elementos do Movimento «Que se Lixe a Troika», que se manifestam no local.

«Demissão», gritavam os manifestantes.

Os protestos, que já se faziam ouvir desde as 10:30, subiram de tom quando chegaram o Presidente da República e o primeiro-ministro, cerca das 11:15, altura em que pediram a demissão dos dois responsáveis políticos.

«Demissão», foi também a palavra gritada enquanto o chefe de Estado hasteava a bandeira nacional na varanda dos Paços do Concelho.

Depois da bandeira nacional ter sido hasteada, os manifestantes começaram a cantar «Grândola Vila Morena».

As comemorações oficiais do 5 de Outubro não estão a suscitar interesse por parte dos populares, despertando apenas a curiosidade de alguns turistas que passam pela Praça do Município.

Os manifestantes estão «vestidos» com cartazes em que se podem ler mensagens como «pensões e salários dignos ou miséria permanente», «saúde pública ou flagelo» ou «educação para todos ou só para alguns».

Nuno Ramos de Almeida, um dos membros do movimento disse à agência Lusa que a ação de hoje tem como objetivo «mostrar que há outra saída» para a atual situação do país e apelar à manifestação marcada para 26 de outubro.

«Há um ano, o Presidente da República pôs o país ao contrário e achamos que é tempo de endireitá-lo», afirmou Nuno Ramos de Almeida, numa alusão ao episódio registado em 2012 durante as celebrações do Dia da Implantação da República quando a bandeira nacional foi hasteada com o escudo ao contrário.

A manifestação decorre de forma pacífica sob o olhar da Polícia e ouvem-se assobios à medida que chegam aqueles que vão participar nas comemorações, entre os quais vários responsáveis políticos.

Depois de, no ano passado, as cerimónias oficiais terem decorrido no Pátio da Galé, este ano regressam ao interior do edifício da Câmara de Lisboa, o que não acontecia desde há oito anos, antes de, em 2006, o atual Presidente da República, Cavaco Silva, ter decidido abrir as celebrações da implantação da República ao público na Praça do Município.

Segundo a organização, a decisão de voltar ao interior dos Paços do Concelho teve que ver com a simplificação das celebrações, uma vez que, a partir deste ano, a data já não é feriado.

O feriado de 5 de Outubro foi eliminado através da aprovação de alterações ao Código do Trabalho, a 11 de maio do ano passado, em conjunto com os feriados da Restauração da Independência (1 de Dezembro), e os feriados religiosos de Corpo de Deus (60 dias após a Páscoa) e do Dia de Todos os Santos (1 de novembro).