Convocar o Conselho de Estado para se pronunciar sobre os problemas que o programa informático da Justiça está a causar é «um absurdo», aos olhos do Presidente da República.

Embora Cavaco Silva reconheça que «nem tudo correu pelo melhor» na reforma do mapa judiciário, não há razões para convocar o Conselho de Estado, como pediu o Sindicato dos Oficiais de Justiça.

«Na Justiça têm sido feitos grandes reformas nos últimos tempos», assinalou Cavaco Silva, para depois acrescentar: «O que espero é que essas reformas conduzam a uma Justiça mais célere, mais próxima dos cidadãos, uma Justiça mais justa e que contribua para o desenvolvimento económico e social do país».

O chefe de Estado está confiante que «as dificuldades que surgiram na implementação desta reforma sejam rapidamente ultrapassadas».

À pergunta se a atual reforma foi implementada da melhor forma, Cavaco Silva referiu que «não se pronuncia em público sobre a implementação das medidas», cita a Lusa.

«As políticas são definidas, são executadas pelos ministérios e pela administração. Todos nós desejamos que corra tudo pelo melhor, pelos vistos nem tudo correu pelo melhor, mas, com certeza, que o meu desejo seria que tivesse corrido pelo melhor», declarou.

Cavaco espera que todos colaborem, porque «a Justiça é um pilar fundamental» da democracia e «é bom que se dê resposta a críticas que são feitas de que a Justiça não é célere, às vezes a crítica de que a Justiça não é igual para todos, às vezes diz-se que está longe dos cidadãos, outros dizem que não contribui para o desenvolvimento económico e social».

«Portanto, o que temos é de fazer o possível para que a Justiça funcione melhor, ela precisava de reformas, foram feitas muitas, nem sempre é possível conseguir que tudo corra de forma perfeita», rematou.

Os problemas da plataforma Citius e a ministra da Justiça têm merecido duras críticas por parte dos partidos da oposição. Também a Ordem dos Advogados ainda hoje questionou onde anda Paula Teixeira da Cruz, quando o sistema judicial está «totalmente em colapso».