Antes de uma arruada pelo centro de Olhão, Paulo Sá foi o primeiro responsável na campanha da CDU a classificar a intenção do Governo de devolver parte da sobretaxa do IRS como um “gigantesco embuste”, valendo-se das contas. À noite, no comício realizado em Faro, Jerónimo de Sousa coloriu a argumentação, servindo-se da sabedoria popular.    

“O problema é que, como diria o nosso povo, roubaram o porco e agora querem dar um chouriço”, comentou desta forma Jerónimo de Sousa o tema que marcou o dia de campanha, depois da Direção Geral do Orçamento (DGO) ter revelado dados relativamente à execução orçamental até agosto. 


O líder comunista disse que “é preciso ter descaramento” para apresentar os dados que o Governo apresentou, classificando-os como “uma fraude”, por causa da omissão dos atrasos na devolução “do IVA e do IRS”, a que Paulo Sá já se referira. 
 
 

“Essa sobretaxa que é extraordinária, começa a ser cada vez mais ordinária”, soltou Jerónimo de Sousa, provocando riso entre os apoiantes da CDU, que enchiam o Teatro Municipal de Faro. 


Para o líder comunista, a notícia da eventual devolução não passa de “desespero” eleitoral. “Filhos do desespero, começam a prometer tudo e mais um par de botas”, apontou. 

“Mas o desespero é sempre mau conselheiro”, avisou, prognosticando: “A coligação do PSD e do CDS vai perder e perder por muitos”. 

“Tiveram há quatro anos mais de 50 por cento [dos votos] e agora já nem conseguem afirmar que vão ter uma maioria absoluta. Vão perder e vão perder bem”, concluiu.