Num abafado pavilhão em Alpiarça, Jerónimo de Sousa fez subir ainda mais a temperatura quando no final de um almoço com apoiantes acusou Passos Coelho de “mentir”, para desvalorizar as promessas do líder social-democrata de que com a PàF não haverá mais cortes em salários e pensões.  

“As promessas e as declarações de Passos Coelho, tendo em conta o que disse no passado e fez presente, valem tanto como um tostão furado”, clamou o líder comunista, para depois justificar por que razão não acredita nas palavras do líder do PSD. 

“Não têm credibilidade nenhuma, porque mentiu quando disse que não cortava pensões e reformas e cortou, quando disse que não cortava salários e cortou, quando disse que não atingia os mais pobres e atingiu”, disse Jerónimo de Sousa, para quem há apenas uma conclusão a tirar sobre as garantias de Pedro Passos Coelho: “A sua palavra vale zero, vale zero.” 


Segundo o secretário-geral do PCP, a única intenção do primeiro-ministro é “pôr o conta-quilómetros a zero para manter as injustiças, para manter todo o seu programa de extorsão do povo e dos seus direitos”. 

Jerónimo de Sousa censurou ainda os apelos ao “voto útil” e a uma “maioria absoluta”, feitos pelos maiores partidos. 

“Sobre essa coisa da maioria absoluta, camaradas, pelas contas deles não havia portugueses suficientes para que cada um tivesse mais de 50 por cento”, apontou, para questionar: “Querem uma maioria absoluta para quê?” Disse depois que nem "eles não sabem explicar". 


Jerónimo de Sousa lançou a mesma questão em relação o “voto útil”. Para depois concluir: “O voto não pode ser útil só para quem o recebe, o voto também deve ser últil para quem o dá”.

Segundo defendeu, trata-se de uma “mistificação”, quando o voto útil que se pede serve apenas para “servir quem o recebe”. “E, por isso, nós dizemos que o voto último é na CDU”, acrescentou.

Antes de Jerónimo de Sousa, já o cabeça-de-lista da CDU pelo distrito de Santarém tinha atacado Passos Coelho. "Passos Coelho trouxe o anticomunismo para campanha eleitoral", começou por apontar António Filipe, para depois sublinhar que é um "bom sinal".

"Passos Coelho tem medo que nós lá cheguemos, é um bom sinal", desafiou o dirigente comunista. 


António Filipe não deixou também de responder aos apelos a uma maioria absoluta dos maiores partidos.

"Quando ouvimos Passos Coelho e António Costa a gritar por uma maioria absoluta, eles gritam cada vez mais alto, porque a maioria absoluta está cada vez mais longe", apontou. 

O cabeça-de-lista da CDU não quis deixar ainda de falar sobre o pedido de António Costa para "virar a música". "O que assistimos é que vira o disco e toca o mesmo", frisou.