O recandidato europeu da CDU, disse esta segunda-feira que, caso chegasse ao Governo, faria tudo ao contrário de Cavaco Silva, primeiro-ministro entre meados dos anos 80 e 90, para «dinamizar a produção» e quer as políticas comuns profundamente modificadas.

«Havia um primeiro-ministro, aqui há uns anos e que agora é Presidente da República, que dizia ¿não faz mal deixar de produzir - se a gente consegue comprar mais barato, então que se compre, para que havemos de estar a produzir?'. Só que isto, mais cedo ou mais tarde, confronta o país com situações como a que hoje temos. Os produtos podem ser baratos numa altura, mas, quando arrasamos a nossa produção, estamos nas mãos dos outros países e temos de pagar o que eles pedem, seja caro, seja barato», afirmou João Ferreira.

O eurodeputado comunista respondia a uma das diversas perguntas de uma plateia composta por alunos e professores da Escola Profissional de Salvaterra de Magos: «se fosse primeiro-ministro, o que faria?», questionara um jovem estudante.

«A renegociação da dívida pública, a dinamização da produção nacional - de maneira a dever menos e produzir mais -, a devolução à população e trabalhadores daquilo que lhes foi retirado nos últimos anos, a aposta na valorização dos serviços públicos (saúde, educação, segurança social)», foram alguns exemplos enunciados pelo também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

João Ferreira defendeu uma postura negocial mais forte de Portugal em Bruxelas e «uma política de gestão orçamental equilibrada, mas que assegure que alguns setores sejam chamados a dar um contributo, nomeadamente ao nível dos impostos, que não têm dado nos últimos anos».

«Ainda agora os três partidos (PSD, CDS-PP e PS) entenderam-se para baixar os impostos (IRC) aos grandes grupos económicos», criticou.

O cabeça de lista da CDU preconizou ainda «uma profunda modificação das políticas comuns: Política Agrícola Comum, Política Comum das Pescas e Política Comercial Comum, pelo menos estas».