“Não tem jeito nenhum”. Foi assim que Jerónimo de Sousa terminou o que tinha para dizer sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, que sugeriu que António Costa deverá demitir-se se não vencer as eleições. 

“Acho que é um atrevimento que Passos Coelho esteja a meter o bedelho onde não é chamado, não tem jeito nenhum. Não quero pronunciar-me mais sobre isso. Não tem jeito nenhum”. Um ponto final, com um vinco de incómodo, porque antes destas palavras, sublinhou que as proferia apesar de não lhe caber “ser juiz defensor do PS”, um partido que tem estado no centro das críticas da campanha da CDU. 


As declarações do líder comunista foram feitas as jornalistas na Cooperativa Árvore, no Porto, em que também censurou um relatório sobre reformas fiscais da UE. Um documento que sugere que Portugal ainda tem margem para aumentar os impostos sobre o consumo e de caráter ambiental, se isso for necessário para equilibrar as contas públicas. 

“Aquilo que nos colocam é, mais uma vez, um aumento dos impostos. E um aumento injusto. Porque tanto paga o rico, no plano do consumo, como o pobre”, salientou Jerónimo de Sousa, renovando críticas a Bruxelas. 


“O que acaba de ser dito pela UE é que não vai diretamente aos salários. Mas, de forma enviesada, naturalmente são rendimentos dos trabalhadores e da população que acabam por ser profundamente afetados”, disse.

Jerónimo de Sousa apontou armas ainda à coligação de direita, acusando-a de esconder o jogo e de ter receio de anunciar as medidas que pretende implementar.  

“Ao contrário do que o Governo PSD/CDS têm vindo a apregoar, a situação não está resolvida, não vem aí um futuro risonho. Têm em carteira medidas, decisões e instrumentos que poderão levar ao aumento da exploração e do empobrecimento do povo português, mas por razões táticas ainda não vão anunciado”, disse. 


Voltando ao PS, Jerónimo de Sousa não quis deixar de aplicar uma nota crítica em relação às declarações de António Costa sobre a cultura, em que o líder do PS defendeu que é mais importante “um Governo com Cultura” do que um Ministério da Cultura.  

“Corre o risco de ser uma expressão meramente retórica", disse, desafiando: “Era importante que António Costa definisse o orçamento para a cultura”.