programa eleitoral da coligação PSD/CDS-PP

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Marco António Costa apelou aos socialistas para que façam "uma apreciação mais substantiva, mais concreta, e não em cima do joelho" e recomendou-lhes: "Não vale a pena tentarem criar o papão da privatização da Segurança Social em volta do programa eleitoral apresentado pela maioria, porque ele não existe".

Interrogado se a coligação PSD/CDS-PP tem estimativas do impacto da sua proposta de plafonamento da Segurança Social, que não consta do referido Programa de Estabilidade, o social-democrata respondeu: "Todas as nossas medidas estão estudadas. No que diz respeito à Segurança Social, estamos disponíveis para nos sentarmos à mesa a conversar para construir soluções de consenso".

Antes, questionado sobre a falta de quantificação das medidas incluídas no programa da coligação Portugal à Frente, o porta-voz e vice-presidente do PSD tinha remetido para o Programa de Estabilidade que o Governo apresentou em Bruxelas: "As contas todas dos anos vindouros das medidas políticas que pretendemos tomar nas diferentes áreas de governação estão lá todas realizadas e explicitadas".

"Os primeiros em Portugal a apresentar as contas todas daqueles que eram os seus projetos para o futuro foram os partidos da maioria, quando apresentaram o Programa de Estabilidade, que é um documento oficial, ao qual os dois partidos da maioria estão vinculados", sustentou.

 Na quarta-feira, o secretário-geral do PS, António Costa, considerou que o programa eleitoral da coligação PSD/CDS-PP é "um saco cheio de palavras", porque "não tem as contas", e revela "fúria privatizadora, atacando os serviços públicos, a começar pela Segurança Social".

Em nome do PSD, Marco António Costa deixou um "protesto" pela forma como o PS analisou o programa da coligação Portugal à Frente.

O porta-voz e coordenador da Comissão Política Nacional do PSD contestou, sobretudo, a acusação de privatização da Segurança Social: "Trata-se de um papão que não existe, e trata-se de um velho chavão muito gasto pelo PS para assustar os portugueses". Não é admissível que se faça política com esse tipo de acusações sem fundamento".

Marco António Costa contrapôs que o PS é que tem contas que suscitam "as maiores das dúvidas" e propõe no seu programa "um atentado à Segurança Social" que "poderá ter um impacto superior a 12 mil milhões de euros em quatro anos na redução de financiamento da Segurança Social, e isso colocará em perigo das atuais gerações".

No entanto, defendeu que "a matéria da Segurança Social deve ser um espaço de convergência, e não um espaço de divergências".