O líder do CDS-PP, Paulo Portas, disse ter vivido na sexta-feira  "uma noite comovente" de despedida do partido perante o Conselho Nacional e pediu que não lhe perguntem onde estará daqui a dez anos.

"Foi uma noite comovente. A minha relação com os eleitores do CDS ou os militantes do CDS e com muitos portugueses é muito afetiva e é muito carinhosa. Foi uma noite bonita, que eu quis que fosse serena", afirmou Paulo Portas.


De acordo com a Lusa, em que lho perguntassem, o ainda presidente centrista, que não se recandidata à liderança, afirmou: "Não me perguntem onde vou estar daqui a dez anos".

"Se Deus me der saúde estarei bem com certeza e serei certamente do CDS", acrescentou.

Paulo Portas sublinhou ter "a maior confiança na nova geração do CDS": "Acho que há gente ótima para abrir alas ao futuro".
 

Conselho Nacional aprova voto de louvor e agradecimento 


O Conselho Nacional do CDS-PP aprovou na sexta-feira por unanimidade um voto de louvor a Paulo Portas, em cujo texto se define o partido como tendo "a trave da democracia-cristã" e integrando o "liberalismo responsável" e o "conservadorismo moderado".

O "voto de louvor e agradecimento" a Paulo Portas apresenta o CDS como "um partido de implantação nacional, capaz de lutar em eleições por todo o País, uma força atuante em todo o território" e "um partido reconciliado com a sua história e reconhecido para com o seu passado, com a trave da democracia-cristã e integrando as correntes do liberalismo responsável e do conservadorismo moderado".

O Conselho Nacional do CDS-PP marcou para os dias 12 e 13 de março o 26º Congresso, que será eletivo da liderança, à qual Paulo Portas não se recandidata. O prazo para a entrega de moções termina no dia 26 de fevereiro.

De acordo com o texto do voto de louvor, que foi apresentado pelo presidente do Conselho Nacional, Telmo Correia, o CDS é hoje "um partido como pretendia Paulo Portas na moção 'Voltar a Crescer' com que se apresentou e foi eleito pela primeira vez em Braga, em 1998, 'moderado, responsável e credível, dotado de quadros identificados com políticas, e de soluções realistas para problemas cada vez mais complexos'".

Neste voto, considera-se que, após a liderança de Paulo Portas, o CDS "que historicamente teve de lutar contra o fenómeno do 'voto útil', é hoje, fruto do seu trabalho, reconhecidamente, um partido útil para Portugal".

"No futuro sabemos que continuaremos a contar com Paulo Portas como o mais ilustre dos nossos militantes. E se a sua tenacidade será difícil de substituir, temos hoje, fruto do seu trabalho, um partido forte, capaz e com futuro", lê-se no voto aprovado por unanimidade.

O voto de louvor e agradecimento lembra todos os cargos exercidos por Paulo Portas, de vereador a vice-primeiro-ministro, e os "tempos difíceis, nomeadamente do período de ajustamento e da 'troika', em que, afirma-se, "o CDS marcou a sua natureza patriótica, responsável e de defesa intransigente do interesse nacional".

O presidente cessante dos centristas é também descrito como "um daqueles dirigentes que, crescendo, ajudou a crescer e a serem melhores aqueles que tiveram a oportunidade de com ele trabalhar".

Paulo Portas foi eleito líder do CDS-PP pela primeira vez em 1998, no Congresso de Braga, tendo estado afastado da direção centrista apenas por um período de dois anos, entre 2005 e 2007, durante a presidência de José Ribeiro e Castro.
 

Conselho Nacional não serviu para apresentação de candidaturas à liderança


O Conselho Nacional do CDS-PP que marcou o 26º Congresso foi um momento de despedida e louvor ao presidente, Paulo Portas, que não envolveu pré-anúncios de candidaturas à sucessão, disse Telmo Correia.

"Todos aqueles que poderão estar a ponderar essa candidatura ninguém quis fazer deste Conselho Nacional um pré-anúncio, uma pré-discussão, ou esse mesmo debate, precisamente por respeitar o momento importante de hoje, que é um momento de último Conselho Nacional de Paulo Portas, de despedida, agradecimento e louvor ao seu trabalho", afirmou o presidente do Conselho Nacional, Telmo Correia.


A definição do quadro da sucessão à liderança de Paulo Portas começa a desenhar-se na próxima semana.

"Essa discussão começará - teremos um fim de semana, espero eu - a partir da próxima semana", disse Telmo Correia.