A presidente do CDS, Assunção Cristas, considerou esta sexta-feira eleitoralista a notícia de que o Governo pretende isentar de IRS os rendimentos e pensões até 632 euros no próximo Orçamento de Estado (OE).

Assunção Cristas, que falava durante a visita à AgroSemana - Feira Agrícola do Norte, que vai decorrer até domingo na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, criticou o eleitoralismo do Executivo e convidou o primeiro-ministro a antecipar a discussão do orçamento, que terá de ser entregue no parlamento até 15 de outubro.

Se o Governo todas as semanas, ou os seis parceiros, querem trazer notícias para a praça pública que, naturalmente, são só aquelas que mais interessam em período pré-eleitoral e vai deixando cair, aqui e ali, algumas medidas de que não sabemos qual é consistência e se vão ser executadas, então desafio o primeiro-ministro a apresentar todo o OE, para que todos o possamos discutir e os vários grupos parlamentares possam apresentar as suas ideias", afirmou.

E prosseguiu: "não me parece que seja um método bom, transparente e leal para discutir política orçamental. O CDS também todos os anos apresenta positiva e construtivamente as suas propostas e este ano não será diferente".

Durante a visita, a AgroSemana lembrou os tempos difíceis vividos pelo setor "com a liberalização das quotas do leite", mas que agora "está a começar a reerguer-se".

Ao mesmo tempo, a líder centrista manifestou preocupação "por mais taxas para o setor" introduzidas pelo Governo e pelo "bom uso dos fundos comunitários", argumentando que o Governo tem de "fazer mais e melhor", garantindo que chegam aos agricultores "todas as verbas necessárias para eles poderem fazer os seus investimentos".

"Estamos sensivelmente a meio do programa comunitário, do PDR 2020, temos uma execução de 31% e é bom que esta execução acelere", recomendou.

Comentando a intervenção do antigo Presidente da República Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD, a líder centrista defendeu que todas as análises à realidade orçamental portuguesa "são muitíssimo bem-vindas".

Não há só notícias boas como o primeiro-ministro quer fazer crer em relação a Portugal. Não é o país cor-de-rosa que ele quer fazer crer. Há muitas dificuldades estruturas para resolver e gostaria de ver o Governo a assumi-las com realismo e vontade de as resolver", acrescentou.

No mesmo tom crítico, mencionou notícias que dão contas das "dívidas na área da saúde", situação que disse ter dificuldade em classificar se de "algum descontrolo ou laxismo" do Governo.

"Quando vemos o primeiro-ministro a falar sobre esta matéria, ele desvaloriza sempre", criticou a líder do CDS para quem as dívidas no setor da saúde "continuam a aumentar", nomeadamente "aos fornecedores de equipamentos, de dispositivos médicos", no que se traduz "numa degradação da qualidade" para os doentes e utentes.

Sobre o facto de Portugal ter o dobro da área ardida por comparação com a média da União Europeia, Assunção Cristas disse "não haver razão para tal", num ano que as "circunstâncias do clima não foram as mais agudas" e que o "número de ignições não foi superior a outros anos".

A dirigente centrista mostrou simpatia pela possibilidade de os bombeiros também poderem intervir na prevenção dos fogos, afirmando ser "uma preparação que o país tem de fazer, certamente envolvendo os próprios bombeiros".