A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, desafiou o Governo a usar PCP e BE e os "seus braços sindicais" no Porto de Lisboa, escusando-se a sugerir medidas para resolver o conflito entre operadores e estivadores.

Não é admissível que o Governo não o resolva de uma vez por todas. Está aliado a partidos como o PCP e o BE, que têm os seus braços sindicais, no caso do PCP, é a CGTP, que tratem desta matéria", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas.

À saída de um almoço promovido pelo American Club de Lisboa, em que foi oradora convidada, a líder dos centristas disse que durante o executivo anterior PSD/CDS-PP a situação no Porto de Lisboa não foi "tão dramática como esta", apesar de não terem "o apoio parlamentar que este Governo tem".

Portanto, que use o apoio parlamentar que tem para as coisas que são verdadeiramente importantes para o país", desafiou.

Os operadores do Porto de Lisboa vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira, uma nova proposta para um novo contrato coletivo de trabalho.

Assunção Cristas recusou avançar uma solução, sublinhando não querer "estar a dizer ao Governo o que é que o Governo deve fazer".

É lamentável que estejamos a discutir uma questão de despedimentos, é lamentável que a situação se tenha arrastado até agora, a quem cabe encontrar a solução é ao Governo, dentro do quadro do seu apoio parlamentar. Se acha que não tem instrumentos suficientes, de acordo com a lei existente, que afine a lei no sentido de ter esses instrumentos", declarou.

"Estamos nas funções do Estado relevantes para que a economia possa funcionar. Com a greve do Porto de Lisboa temos muitas e muitas empresas exportadoras que estão a ser penalizadas, temos muitas indústrias, nomeadamente na área agroalimentar, que não conseguem laborar. Há um efeito profundamente negativo para a economia portuguesa", sublinhou.

A decisão do recurso ao despedimento coletivo foi tomada depois de, na sexta-feira, o Sindicato dos Estivadores, em greve desde 20 de abril, ter recusado a proposta de acordo de paz social e para a celebração de um novo contrato coletivo de trabalho para o trabalho portuário no porto de Lisboa.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.