A moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS-PP foi chumbada esta terça-feira no Parlamento. Sem surpresas, só o PSD votou ao lado dos centristas. PS, BE, PCP, PEV e PAN votaram contra.

Esta foi a primeira vez que o XXI Governo Constitucional, chefiado por António Costa, foi confrontado com uma moção de censura desde que entrou em funções, em novembro de 2015.

No debate da moção de censura, no Parlamento, a presidente do CDS, Assunção Cristas, afirmou que o Estado "falhou clamorosamente" na prevenção dos incêndios e que "há que apurar responsabilidades políticas até às últimas consequências". 

A líder centrista elencou as várias razões pelas quais o Governo falhou na tragédia dos fogos, que provocaram a morte a mais de 100 pessoas, e acusou o primeiro-ministro de não ser um estadista, mas antes um "político habilidoso", que, perante a tragédia, "não teve fibra nem caráter".

"O primeiro-ministro falhou, mas não o reconheceu. Quando o país precisava de um estadista, constatou que tinha apenas um politico habilidoso."

Nesta discussão, que ficou marcada pelo regresso ao Parlamento da ex-ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa e o ex-secretário de Estado Jorge Gomes, António Costa evitou entrar em confronto com a presidente do CDS, preferindo sublinhar as medidas que foram aprovadas no Conselho de Ministros, no último sábado, para responder à situação dos incêndios.

Medidas que terão cobertura orçamental, assegurou o primeiro-ministro. Costa garantiu que  "nenhuma das medidas" do Orçamento do Estado para a "reposição de rendimentos", para o "investimento" ou "alívio da carga fiscal" será sacrificada.

Não, nenhuma das medidas adotadas para reposição do rendimentos dos portugueses ou para o aumento do investimento ou para alívio da carga fiscal será sacrificada para responder a este estado de emergência, aí não haverá qualquer alteração no Orçamento do Estado", sublinhou António Costa.

À esquerda, BE e PCP demarcaram-se da moção, mas não pouparam o Executivo, instando-a agir com brevidade.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, criticou a falta de preparação do Governo, lembrou as várias medidas que "nunca saíram do papel" e questionou o que o Governo pretende do futuro. O PCP, por António Filipe, sublinhou o sentimento de insegurança que se vive junto das populações e apelou para que a burocracia não trave a incrementação de medidas.