O porta-voz do CDS-PP, João Almeida, considerou esta quarta-feira preocupante a confirmação de que o crescimento da economia portuguesa está a “perder gás” e defendeu incentivos ao investimento privado para contrariar a tendência.

Estes indicadores são preocupantes porque sabemos que depois de passada a crise é fundamental ter um crescimento sustentado. O que vemos é que esse crescimento não só não é sustentado como está a perder gás”, afirmou João Almeida, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

A Comissão Europeia estima que a economia portuguesa cresça menos este ano do que em 2017, subindo 2,2% contra os 2,7% que antecipa para o ano passado, mantendo-se em linha com o previsto pelo Governo, segundo as previsões de inverno divulgadas esta quarta-feira.

Bruxelas justifica o abrandamento do crescimento do PIB este ano com um "desenvolvimento salarial moderado” e uma “pequena subida da taxa de poupança".

O deputado destacou que Portugal “vai divergir da média europeia e da média da zona euro” e sustentou que a redução do ritmo de crescimento “não é uma inevitabilidade”.

João Almeida frisou que “ainda ontem [terça-feira] o senhor Presidente da República disse que a insuficiência do Orçamento do Estado para este ano era o apoio ao investimento”.

Sem incentivo ao investimento privado, sem retomar a reforma do IRC que vinha sendo feita pelo governo anterior estamos condenados a ter crescimentos parecidos com o que tínhamos antes da crise e isso não pode acontecer”, defendeu.

PCP sauda resultados

Por seu lado, o PCP relacionou as estimativas da Comissão Europeia para Portugal com as medidas de recuperação de direitos e rendimentos seguida pelo Governo, mas admitiu que não fica descansado.

As “previsões do crescimento económico” hoje divulgadas “não estão desligadas da reposição de direitos e rendimentos” dos últimos anos, ao contrário do que a União Europeia defendia e defende, afirmou aos jornalistas o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, na Assembleia da República, em Lisboa.

Ainda assim estes dados económicos não nos descansam quanto aos problemas estruturais do país”, acrescentou, criticando a “falta de respostas” da parte do executivo para os “setores produtivos, para o investimento público e quanto ao controlo de setores estratégicos” do país.

João Oliveira insistiu na necessidade de “uma política alternativa para ter níveis de crescimento económico sustentados a partir da resolução dos problemas estruturais do país”.

"Mais distribuição de rendimento"

O Bloco de Esquerda (BE) saudou também as boas previsões económicas da Comissão Europeia para Portugal e espera que os resultados conduzam a mais emprego, mais distribuição de rendimento e melhores condições de vida.

Em declarações aos jornalistas, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, começou por lembrar que, no passado, a Comissão Europeia fez previsões que depois teve de se “corrigir a si própria”.

Como aconteceu com a previsão para 2018, que agora Bruxelas admite que "será melhor do que acha que seria”.

As perspetivas para a economia são positivas, esperamos que sejam melhores do que as que estão no papel e que, acima de tudo, se faça por mais emprego, mais distribuição de rendimento, pela melhoria da qualidade de vida das pessoas”, afirmou.

Pedro Filipe Soares lembrou que “essas são as políticas” adotadas “neste novo ciclo político desde 2015”, com o Governo de minoria, com o apoio parlamentar do PCP, BE e PEV, “muitas das vezes contra a vontade da Comissão Europeia, mas sempre vencendo os maus prognósticos” de Bruxelas.