O CDS-PP na Câmara de Lisboa anunciou estar contra a atribuição da Chave de Honra da Cidade ao antigo Presidente da República Mário Soares, devido às suas recentes posições de «radicalismo político e incitamento à violência».
 

«Até hoje, as personalidades agraciadas com a Chave da Cidade o foram por algum facto específico: nas três personalidades nacionais, até hoje agraciadas, estiveram em causa feitos ou obras internacionalmente reconhecidas. Ora esse patamar deve ser preservado e não deve ser confundido com um aniversário pessoal ou um mero gesto político», sustentou o centrista João Gonçalves Pereira numa declaração de voto divulgada esta quinta-feira.

 
Na quarta-feira, a Câmara de Lisboa (de maioria PS) discutiu a atribuição da Chave de Honra da Cidade ao antigo Presidente da República e histórico socialista Mário Soares, proposta assinada pelo presidente do município, António Costa, e que foi aprovada com abstenção do PCP e o voto contra do CDS-PP.
 
«Numa ocasião de tão grande significado, aquela em que ele comemora o seu 90.º aniversário, tenho a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa delibere atribuir a Chave de Honra da cidade de Lisboa ao Dr. Mário Soares, em reconhecimento pelos serviços prestados e em louvor do seu combate pela democracia, pela cidadania, pela cultura, pela projeção de Portugal e da sua capital no mundo», defendeu o presidente da autarquia, na proposta apresentada em reunião de Câmara.
 
Segundo o mesmo documento, a Chave de Honra da Cidade de Lisboa é atribuída a «personalidades de reconhecido mérito que se notabilizaram e prestaram relevantes serviços à cidade» e Mário Soares «deu contributos fundamentais para a projeção de Lisboa e demonstrou sempre uma enorme fidelidade à sua cidade natal».
 
Apesar de reconhecer «o percurso e a carreira política nacional e internacional do Dr. Mário Soares», o vereador do CDS-PP argumenta que o histórico socialista «não é nos dias de hoje uma personalidade consensual, tendo assumido posições de radicalismo político e de incitamento à violência que não podem ser esquecidas».
 

«Em política, as palavras têm consequências e o nosso partido não deve com o seu voto concordar ou de alguma forma legitimar essas posições do Dr. Mário Soares», acrescenta João Gonçalves Pereira.