A moção da candidata à liderança do CDS-PP Assunção Cristas remete para um futuro Conselho Nacional a definição da estratégia nas eleições autárquicas, mas deixa claro que a oposição ao “governo das esquerdas” é a marca do partido.

“O CDS tem a oportunidade para se afirmar como uma parte cada vez mais robusta de uma futura solução de Governo de centro direita. Preparamo-nos diariamente para um desafio que não tem dia marcado”, refere o texto, que sublinha que o partido irá fazer uma oposição “firme mas sempre construtiva de uma alternativa de Governo de centro direita em Portugal”.

Na moção de 31 páginas, intitulada Ambição e Responsabilidade para Portugal, Assunção Cristas defende, a propósito das autárquicas a realizar no outono do próximo ano, que “não há uma receita válida para todos os concelhos e freguesias e certamente que a palavra do partido a nível local tem um valor cimeiro”.

“Oportunamente, em sede de Conselho Nacional, o CDS deverá aprovar orientações relativamente às próximas eleições autárquicas”, refere a moção, que traça como objetivo o reforço da presença autárquica do partido “sozinhos ou como parte de projetos comuns onde o CDS já tenha ou possa vir a ter uma participação relevante e valorizada”.

A nível de governação, Assunção Cristas define uma orientação clara: “A oposição firme e bem sustentada ao governo das esquerdas é a nossa marca. Continuaremos a ser acutilantes na denúncia dos riscos para o país de uma governação aventureira e a propor caminhos de prudência e crescimento estável que conduzam a uma prosperidade duradoura”.

Por outro lado, a ex-ministra da Agricultura salienta que, desde as últimas eleições – em que PSD e CDS-PP coligados venceram mas sem maioria suficiente para formar Governo – “a alteração profunda da prática constitucional tornou menos relevante o vencedor das eleições e mais relevante o apoio parlamentar de um mínimo de cento e dezasseis deputados”.

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Discussão para “reforma profunda do sistema eleitoral”

A moção de Assunção Cristas defende ainda que os centristas devem "estudar e lançar a discussão para uma reforma profunda do sistema eleitoral", sem avançar o sentido dessas mudanças.

"Ter a política ao serviço do país implica refletir sobre os níveis de abstenção nos atos eleitorais, bem como sobre a crítica recorrente de divórcio entre eleitos e eleitores. O CDS não deve ter receio deste debate, devendo estudar e lançar a discussão para uma reforma profunda do sistema eleitoral", lê-se na moção de estratégia global de Assunção Cristas ao 26º Congresso do CDS.

Intitulada "Ambição e Responsabilidade", a moção, com 31 páginas, sustenta que "a chave do problema pode não estar aqui", mas considera que não se pode "deixar de refletir" e de empenhar os "melhores esforços em procurar as soluções".

"O CDS deverá estudar e convidar as demais forças partidárias e toda a sociedade a discutir uma reforma do sistema eleitoral que assegure: maior proximidade ao cidadão; pluralismo partidário; melhor representação do interior. Deverá também procurar progredir para um modelo de voto que permita assegurar a participação fácil e acessível quer aos portugueses no estrangeiro quer aos portugueses em mobilidade", defende.