O Presidente da República garantiu esta segunda-feira ao Governo a continuação da «cooperação institucional leal e aberta» em 2015, que não vai ser «fácil» e em que os portugueses «têm a expectativa» de que «seja melhor».

Na apresentação de cumprimentos de boas festas pelo Governo ao Presidente, no Palácio de Belém, Cavaco Silva apontou também, entre os «sinais positivos em 2014», o «aumento do número de personalidades e organizações que apelaram ao compromisso e ao diálogo entre as forças políticas».

Essas personalidades e organizações estão «conscientes que o país enfrenta desafios do tempo longo, desafios complexos, que se prolongam por um horizonte temporal alargado que ultrapassa o tempo normal dos governantes», sustentou o Chefe de Estado.

«Os portugueses esperam que a melhoria que se verificou no ano de 2014, na produção, no emprego, nos rendimentos, se consolide e reforce no ano de 2015. Isto é, os portugueses têm a expectativa que o ano de 2015 seja melhor do que ano de 2014», afirmou.

O Presidente disse que «cabe a todos dar o seu contributo para que as esperanças se concretizem», mas assumiu que «os portugueses olham acima de tudo para o Governo, esperando que ele dê os passos necessários para que as esperanças e expetativas se materializem».

«Eu sei muito bem que o ano de 2015 não vai ser um ano fácil para quem tem a responsabilidade de governar. Eu sei muito bem que o Governo enfrentará desafios complexos, grandes exigências, e que há muitos desejos que não podem ser concretizados no curto prazo», cita a Lusa,

Cavaco Silva disse considerar que «os portugueses querem que o Governo enfrente os problemas do país com sabedoria, com serenidade, com coragem, com sentido de justiça e abertura ao diálogo, colocando a defesa do interesse nacional acima de qualquer outro».

«O que posso dizer é que, como aconteceu sempre no passado ao longo dos meus mandatos, o Governo continuará a contar com a cooperação institucional leal e aberta e a cooperação estratégica, porque é assim que se deve trabalhar em conjunto para dar resposta aos problemas do país, e como disse há pouco, aos que são mais frágeis e vulneráveis da nossa sociedade», garantiu.

O Chefe de Estado afirmou que o ano que está a terminar foi, «politicamente muito intenso, quer ao nível interno quer ao nível externo, um ano que não será rapidamente esquecido».

«É longa a lista dos acontecimentos que mobilizaram a atenção não apenas dos agentes políticos, mas dos cidadãos em geral, uns positivos e outros negativos. Neste tempo de Natal, em que nós olhamos para o futuro com uma confiança renovada, devemos procurar no ano que termina sinais positivos que podem contribuir para reforçar a esperança dos portugueses», disse.

Entre esses «sinais positivos» apontou a «conclusão do programa de assistência financeira, sem que fosse necessário um segundo resgate ou um programa cautelar», os prémios conquistados por cientistas portugueses, os lugares obtidos pelas universidades nos rankings internacionais, «o comportamento muito positivo de alguns setores da economia, como é o caso do calçado, dos têxteis e do agroalimentar».

Foi igualmente do lado dos "sinais positivos" que Cavaco Silva colocou "o acordo de parceria com a União Europeia, para a utilização dos fundos estruturais no período de 2014-2020".

O Presidente afirmou que a apresentação das boas festas pelo executivo é uma tradição da democracia "que contribui para valorizar os valores próprios da quadra: paz, a concórdia, a harmonia, a solidariedade, que ao nível dos órgãos de soberania deve significar diálogo aberto, franco, leal, cooperação institucional, trabalho em conjunto, pensando em particular naqueles que são os mais frágeis e desfavorecidos da nossa sociedade, aqueles que precisam de auxílio".