O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu esta segunda-feira que «é uma ilusão» pensar que os problemas se resolvem com «facilidade», pronunciou-se contra o «medo da mudança» e incentivou os decisores políticos a não terem medo de atuar.

«Portugal tem ainda à sua frente grandes desafios muito exigentes. Portugal continua a enfrentar fortes restrições e ser-lhe-ão colocadas grandes exigências no futuro. É uma ilusão pensar que os problemas do país estão resolvidos. Tal como é uma ilusão pensar que os problemas podem ser resolvidos num contexto de facilidades», afirmou Cavaco Silva.


No encerramento do encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, o Chefe de Estado disse que, «no discurso, pode-se dizer tudo aquilo que vem à cabeça, incluindo os maiores disparates, mas a realidade acaba sempre por impor-se, às vezes com um certo atraso, e há sempre alguém a pagar a fatura».

«É por isso que é fundamental que os decisores atuem com bom conhecimento da realidade, conhecendo bem as barreiras que o país tem que enfrentar, as restrições que estão à sua frente. Isso pressupõe uma informação credível e uma análise fundamentada», afirmou, no final do encontro que decorreu no Palácio da Cidadela de Cascais.


Cavaco Silva sublinhou que os decisores não podem agir em «meros improvisos».

«Neste momento, manter as coisas como estão e ter medo da mudança é um dos riscos que nós cometemos, é um dos riscos que nós corremos. Penso que o Conselho da Diáspora pode-nos dar uma ajuda para que Portugal e os nossos decisores políticos não tenham medo de atuar e não adiem demasiado as decisões que são fundamentais tomar», afirmou.


Cavaco Silva começou por salientar que «Portugal concluiu com sucesso o programa de assistência, não foi necessário um segundo resgate nem tão pouco um programa cautelar» e que realizou «uma correção significativa dos desequilíbrios macroeconómicos».

«O balanço positivo das nossas contas externas reflete uma transformação estrutural da nossa economia no sentido da produção de bens transacionáveis», disse.


No encerramento do encontro estiveram presentes o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, o ministro da Economia, António Pires de Lima, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, o ministro da Educação, Nuno Crato, e o ministro doo Ambiente, Jorge Moreira da Silva.

O Conselho da Diáspora Portuguesa foi criado há dois anos, com o patrocínio de Cavaco Silva, conta atualmente com mais de 70 conselheiros de cerca de 20 países.

O Presidente considerou que se trata de «uma comunidade de talento, uma comunidade de conhecimento e uma comunidade de influência nos mais variados setores»

«São portugueses que, nas comunidades em que se inserem têm influência no campo económico, das finanças, da cultura, da arte, da vida cívica, do desporto. Queremos que o conselho funcione como uma plataforma que permite aos portugueses que estão no estrangeiro acompanhar e participar no desenvolvimento do país e ajudar-nos a vencer os desafios grandes que temos à nossa frente», afirmou.

Segundo Cavaco Silva, os portugueses espalhados pelo mundo podem melhorar a "imagem no exterior" do país, «fazendo-a mais consistente com a realidade», podem «ajudar a divulgar as potencialidades" de Portugal, dar a conhecer o país "como uma localização competitiva para o investimento», bem como divulgar qualidade dos produtos e serviços nacionais, assim como da riqueza da cultura e património.

«Desde há muito tempo defendo insistentemente a mobilização do talento português espalhado pelo mundo. Pode dar um contributo significativo para o desenvolvimento de Portugal nas mais diversas áreas», disse.

«A nova vaga do desenvolvimento português não pode deixar de assentar em empresas competitivas e que atuam no mercado internacional. Para isso, precisamos de mobilizar os nossos talentos, onde quer que eles estejam, e a riqueza do nosso capital humano», sustentou, frisando que se tem «empenhado pessoalmente na aproximação das comunidades da diáspora a Portugal».

Cavaco Silva considerou que o encontro deste ano do Conselho da Diáspora entrou numa fase de «debate de casos concretos, de bons exemplos, que podem dar lugar a parcerias entre empresas portuguesas e estrangeiras».

O encontro deste ano realizou-se com dois temas: «Portugal como plataforma de exportação de serviços, e a prevenção na doença e promoção da saúde», refere a Lusa.