O Presidente da República defendeu, esta sexta-feira, que o Portugal moderno e desenvolvido não pode ficar "de costas voltadas para o passado", apontando como exemplo a necessidade da requalificação dos centros históricos.

"O Portugal moderno e desenvolvido, que todos queremos construir, não pode ficar de costas voltadas para o passado. Pelo contrário, deve apostar na preservação dos valores que lhe são próprios, como sinal de identidade num mundo cada vez mais global", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na inauguração do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

Notando que está amplamente demonstrado que os valores patrimoniais constituem um fator decisivo para o progresso e para a afirmação internacional do país, Cavaco Silva sustentou que os projetos de desenvolvimento terão tanto mais sucesso quanto melhor souberem integrar o património em que se alicerça a cultura portuguesa, quer se trate de património cultural, natural ou urbanístico.

"Torna-se, por isso, necessária a requalificação dos centros históricos, assim como a preservação do meio ambiente e dos bens naturais que são parte do território nacional. Tanto a qualidade de vida das populações, como o incremento do turismo, assim o exigem", referiu.

Falando perante centenas de convidados, entre os quais o primeiro-ministro e a presidente da Assembleia da República, o chefe de Estado disse estar certo de que o novo espaço onde ficará a partir de agora instalado o Museu dos Coches irá contribuir para promover "a imagem de um Portugal que aposta na vanguarda sem perder de vista as suas raízes".

Na intervenção, o Presidente da República recordou também a rainha Dona Amélia que, numa decisão "a todos os títulos singular", mandou recolher nas instalações do Picadeiro Real as viaturas da corte.

Assim, continuou, "surgiu um museu original, único na Europa e no mundo, inteiramente dedicado aos coches e aos diversos acessórios da arte equestre".

"A rainha Dona Amélia revelou visão estratégica ao reconhecer não só o valor patrimonial das viaturas da corte, mas também o seu interesse público", disse, sublinhando que o Museu Nacional dos Coches é conhecido em todo o mundo como "a mais completa e mais sumptuosa coleção do seu género, pela quantidade, a variedade e a qualidade artística" exibida por muitos dos exemplares preservados.

"A extensão e a raridade do acervo, que vai do século XVII até finais do século XIX, fazem do museu um autêntico livro de história, não apenas sobre a última dinastia dos reis portugueses, mas também sobre as monarquias europeias dessa época e as relações diplomáticas entre os vários Estados", reforçou.

Também o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, interveio na cerimónia de inauguração das novas instalações do Museu Nacional dos Coches, enaltecendo o valor da cultura.

"O efeito que a cultura tem na sociedade, na educação, na economia, no turismo, na valorização do nome de Portugal no mundo é mensurável e essa mensurabilidade deve ser reconhecida e potenciada", referiu o secretário de Estado, acrescentando que a cultura "vale muito para lá do que se pode medir, a cultura vale por si própria e não como mero instrumento ao serviço de outras áreas".

Para Barreto Xavier, a cultura deve "ser parte do modo como se constrói os modelos de decisão política e de organização social contemporânea".

O secretário de Estado da Cultura aproveitou ainda para sublinhar que entre 2011 e 2014 "foram investidos mais de 100 milhões de euros na reabilitação do património cultural".