O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou hoje que os partidos políticos têm "a responsabilidade exclusiva" de assegurar a estabilidade e a governabilidade do país, após as eleições legislativas de 04 de outubro.

"Serão os portugueses a decidir aquilo que querem para o pós 04 de outubro, mas é da responsabilidade exclusiva dos partidos políticos assegurar a estabilidade e a governabilidade do nosso país", disse o chefe de Estado.


Cavaco Silva falava aos jornalistas em Nisa, no distrito de Portalegre, no final de uma visita de dois dias ao Alto Alentejo, em que passou por cinco concelhos.

O Presidente da República disse que a sua declaração de quarta-feira, quando anunciou a data das eleições legislativas, "não pretendeu ajudar nenhuma força política", considerando-a "muito objetiva".

"Digo aos portugueses que 28 países da União Europeia têm governos que beneficiam de apoio parlamentar e que 23 desses países têm coligações de dois ou mais partidos", insistiu.


Cavaco Silva considerou que "não há razões para que Portugal seja uma exceção", tendo em conta "o que se passa em todas as democracias da Europa".

Questionado pelos jornalistas sobre se não dará posse a um Governo minoritário, que possa sair das legislativas, o chefe de Estado limitou-se a responder: "Eu não entro em querelas político-partidárias, principalmente num tempo pré-eleitoral em que cada um procura chamar a atenção mediática para a sua pessoa".

O secretário-geral do PS afirmou, na quinta-feira, que é preciso ajudar o Presidente da República a terminar com dignidade a sua longa carreira política, aliviando-lhe problemas com uma maioria absoluta socialista e impedindo-o de usar critérios "não constitucionais".

Confrontado com a mensagem ao país proferida pelo chefe de Estado, na quarta-feira à noite - interpretada em vários meios como um aviso de que o Presidente da República poderá não dar posse um Governo minoritário -, o secretário-geral do PS disse estar perante "um novo critério não constitucional", ao qual os socialistas "responderão com a força democrática do voto dos portugueses".

Hoje, Cavaco Silva afirmou-se ainda como o político que melhor conhece "praticamente todos os concelhos de Portugal e os seus problemas", considerando que "não há nenhum outro político que tenha ido tantas vezes para o terreno".

O chefe de Estado terminou hoje uma visita de dois dias ao distrito de Portalegre, que começou na quinta-feira à tarde em Monforte onde visitou duas empresas.

Hoje, o dia começou de manhã em Sousel, com visitas ao auditório municipal e à exposição do espólio do futuro Museu dos Cristos, antes de inaugurar o novo centro escolar.

Ainda antes de almoço, em Portalegre, o Presidente da República visitou a Evertis Ibérica e foi recebido na Praça do Município.

De tarde, Cavaco Silva esteve em Nisa onde visitou a fábrica de produção de queijo Sotonisa, o complexo termal da Fadagosa e o Museu do Bordado e do Barro.

A deslocação ao Alto Alentejo termina hoje à noite na vila de Marvão, onde assiste, no castelo, ao concerto de abertura do 2.º Festival Internacional de Música de Marvão, a cargo da Orquestra Gulbenkian, sob a direção do maestro Christoph Poppen.