O antigo líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, esta quarta-feira, que a característica mais importante do próximo Presidente da República deve ser a capacidade de criar consenso entre as diversas forças políticas.

Questionado pela agência Lusa se seria a pessoa com as características necessárias para avançar com uma candidatura à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que «na altura se ponderará».

«Naquela ocasião se verá exatamente quem é que, em rigor, tem o dever de avançar e tem melhores condições para avançar, de acordo com um conjunto de características das quais a mais importante, a meu ver, é a capacidade para criar consenso nacional porque todos nós temos a noção de que vai ser difícil haver maiorias absolutas em outubro», disse em declarações à agência Lusa.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que «há muito trabalho a fazer para estabelecer pontes e consertar feridas a partir de outubro deste ano».

O antigo líder dos sociais-democratas, e também comentador político, falava à margem da apresentação do livro «O meu Expresso», de Francisco Jaime Quesado, em Lisboa.

Esta semana, no prefácio do livro «Roteiros IX», que reúne as suas principais intervenções do último ano, o Presidente da República aponta a política externa como uma das principais funções do chefe de Estado, sublinhando a necessidade de coordenação e concertação com o Governo, porque «a voz de Portugal» deve ser a mesma.

«Assistiu-se neste início do século XXI, a um reforço do papel do Presidente no domínio da política externa de tal forma que esta é hoje uma das suas principais funções», refere o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no documento divulgado na segunda-feira.

«Nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os ‘dossiers’ relevantes para o país», sublinha Cavaco Silva.

O Presidente da República disse hoje que não definiu nenhum perfil do seu sucessor no cargo, mas apenas chamou a atenção para a competência reforçada que hoje existe na política externa.