O candidato presidencial Henrique Neto instou esta segunda-feira Cavaco Silva a convidar "de imediato" António Costa a formar Governo.

"Considerando que as decisões do Presidente da República criaram uma divisão desnecessária e dúvidas sobre a legitimidade das escolhas feitas, há que procurar uma solução que possa ser apoiada por todos os portugueses e seja constitucionalmente irrepreensível", vincou, num comunicado enviado às redações.

"Considero que o Presidente da República deve de imediato convidar o dr. António Costa a formar Governo, mas dando a nota de que o faz porque a alternativa seria não haver Governo até setembro do próximo ano", acrescenta. 

Para o candidato a Belém, "tudo teria sido diferente" se Cavaco Silva tivesse chamado os dirigentes dos dois principais partidos portugueses, PSD e PS, "no sentido de trabalhar com eles uma alternativa de Governo estável e com objetivos nacionais e não, como habitualmente, permitir a defesa dos mesmos interesses partidários que têm vindo a destruir a democracia portuguesa".

O chefe de Estado "não pode continuar a ser indiferente às necessidades do país e tem de assumir uma estratégia clara de mudança e um comprometimento pessoal com o futuro dos portugueses", advertiu ainda.

Ainda assim, e depois de dar posse a António Costa como primeiro-ministro, Cavaco deve convidar o PS a "reforçar o acordo feito com os partidos à sua esquerda, no sentido de apresentarem, num horizonte de seis meses, uma estratégia de médio prazo para Portugal, no contexto da União Europeia e da globalização", advogou. 

Já o próprio Henrique Neto, se for eleito Presidente da República garante que se esse acordo não for conseguido, já sabe que decisão tomará:

"Convocarei novas eleições que permitam aos portugueses resolver o imbróglio que a imprevidência presidencial e as diversas ambições partidárias criaram."


O secretário-geral do PS, António Costa, deverá responder por escrito hoje mesmo à clarificação requerida esta manhã por Cavaco Silva. São seis as dúvidas que o Presidente da República pede para serem esclarecidas.