O Presidente da República reconheceu esta quinta-feira que a Grécia vai ter de pôr em prática medidas "bastante duras". Medidas que, mostrou-se convicto, não afetarão o desenvolvimento económico de Portugal.

"Estou convencido que as medidas bastante duras que a Grécia terá de tomar para corrigir uma situação dramática e uma situação caótica na sua economia e no seu sistema financeiro não afetarão o desenvolvimento económico e social de Portugal".

Cavaco Silva disse, em particular, que Portugal tem vindo a desenvolver investimentos noutros mercados que não a União Europeia, pelo que essa diversificação acaba por reduzir a "vulnerabilidade" da economia de Portugal "em relação a eventos que possam ocorrer na União Europeia”..

O chefe de Estado português mostrou-se muito crítico em relação à postura do governo de Alexis Tsipras durante as negociações com as instituições europeias e chegou mesmo a relativizar que se a Grécia saísse do euro, ainda ficavam 18 países

Isto no mesmo dia em que o Eurogrupo aprovou um financiamento imediato a Atenas. Os ministros das Finanças da zona euro concluíram que a Grécia já está a dar os primeiros passos naquilo que foi acordado.

Uma das primeiras exigências era a aprovação, pelo parlamento grego, do acordo com os credores, o que veio a acontecer ontem, ao mesmo tempo que decorriam confrontos violentos na praça Syntagma

Agora, é hora de dar início às negociações para o terceiro resgate e disponibilizar parte da liquidez que o país precisa.


Moçambique em Portugal


Cavaco falava hoje no Palácio de Belém, depois de se ter reunido com o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi. 

O chefe de Estado elogiou o desenvolvimento económico e social de Moçambique e acrescentou: "Queremos estar na linha da frente, queremos ser parceiros relevantes nesta aposta que o senhor Presidente está a fazer visando acima de tudo a melhoria do bem estar dos moçambicanos".

O tempo da visita do seu homólogo moçambicano é "muito particular", numa altura em que passam 40 anos de independência do país, e este momento "diz muito também a Portugal, não apenas a Moçambique", destacou Cavaco Silva. 

"É forte a vontade das duas partes de reforçarem a cooperação em todos os domínios", vincou, sublinhando o papel das empresas portuguesas no país e a confiança das mesmas "no futuro da economia de Moçambique".

"Sabemos bem que a estabilidade política e que a paz são decisivas para o desenvolvimento económico e social de Moçambique". É possível "fazer mais ainda" na cooperação entre os dois países, nomeadamente a nível de investimentos e comércio


E acrescentou, dirigindo-se a Filipe Nyusi: "Pode contar connosco para trabalharmos em conjunto tirando partido dos laços de amizade, história e língua, para contribuir ainda mais para o desenvolvimento económico e social de Moçambique".

Cavaco Silva afirmou também que os dois Estado têm uma "visão comum" sobre a necessidade de haver uma "consolidação da ordem institucional na Guiné-Bissau".