O Presidente da República considera que Carlos Costa é um dos poucos portugueses com a capacidade para ser governador do Banco de Portugal. Cavaco Silva sublinhou que, nas nomeações para cargos públicos, mais importante do que os consensos, é a competência.

"Em Portugal existe um número reduzidíssimo de pessoas com a competência para exercer as funções de um banco central. Carlos Costa é uma das pessoas com as competências para exercer o cargo de governador do banco central."


Mais, o chefe de Estado português disse que quem põe em causa o desempenho de Carlos Costa à frente do Banco de Portugal devia "estudar" os casos de outros países europeus.

"Aqueles que às vezes não reconhecem o trabalho de Carlos Costa, eu aconselhava a que estudassem a atuação dos bancos centrais nos países da Europa, onde ocorreram, na sequência da crise, resgates, liquidações de bancos e resoluções e quando se faz essa comparação verificamos que o Banco de Portugal fica muito bem classificado."


No seu entender, a política monetária e as técnicas bancárias são matérias de tal ordem específicas e complexas, que a sua análise exige um conhecimento profundo.

"Em Inglaterra foi-se buscar o governador do Banco Central inglês ao Canadá: é um produto escasso."


Na quinta-feira, o Governo anunciou no final do Conselho de Ministros ter decidido enviar à Assembleia da República uma proposta de  recondução de Carlos Costa por mais cinco anos nas funções de governador do Banco de Portugal. 

Ao final da tarde, o secretário-geral socialista, António Costa, manifestou-se  "profundamente desagradado" com a recondução do governador do Banco de Portugal e garantiu que o PS não foi consultado nem ouvido.

O Presidente da República, Cavaco Silva, falou durante uma visita aos concelhos de Tabuaço e Moimento da Beira. O chefe de Estado esteve na cerimónia de inauguração da Escola Básica de Moimenta da Beira, onde defendeu que as câmaras municipais devem receber mais responsabilidades na área da educação e apontou o exemplo da Inglaterra, onde viveu. 

“Temos que ter a coragem de avançar mais significativamente na descentralização em matéria das decisões escolares, assumindo as câmaras municipais acrescidas responsabilidades nessa área.”


O chefe de Estado lembrou que sempre foi “um defensor da descentralização do país em matéria de educação”.

“Há muitos anos, quando era estudante, passei cerca de três anos em Inglaterra, os meus filhos andaram em escolas na Inglaterra, e aí, em York, onde eu estava, nenhuma escola estava à espera da colocação dos professores que chegasse do Ministério da Educação em Londres.”