O Presidente da República sublinhou esta terça-feira a importância do papel dos diplomatas para que Portugal pudesse ter uma 'saída limpa' do programa de ajustamento e insistiu que na política económica "a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia".

"Estou convencido de que a ação que desenvolveram, explicando as reformas que Portugal fez no quadro do programa de ajustamento económico e financeiro, o esforço que fizeram para captar apoios para Portugal na execução desse difícil programa a que os portugueses foram sujeitos, foi da maior importância para uma saída limpa de Portugal do programa de ajustamento", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.


Falando perante os embaixadores de Portugal acreditados junto de vários Estados e organizações internacionais, Cavaco Silva retornou ainda uma ideia deixada há cerca de duas semanas no Conselho da Diáspora, comparando a situação portuguesa com o momento que a Grécia atravessa e insistindo que na política económica "a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia".

A Grécia, disse, ao contrário do que aconteceu em Portugal, foi forçada a pedir um novo resgate, "um programa ultraliberal" de tal forma duro que o próprio ministro das Finanças grego disse na véspera de Natal que estava "a executar um programa neoliberal de que não gostava, mas não tinha outro remédio".

"Esta afirmação sua é a prova provada de que, na política económica de um país da zona euro, a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia", vincou o chefe de Estado.


Na intervenção que fez perante o ministro dos Negócios Estrangeiros e o corpo diplomático, o Presidente da República voltou ainda a apontar o novo ano como "um tempo de incerteza e um tempo de esperança", considerando que isso exige que todos olhem o futuro com "grande sentido de responsabilidade".

"Responsabilidade na consolidação orçamental, responsabilidade no equilíbrio das contas externas, na competitividade da nossa economia, na aposta na inovação e na investigação, na capacidade para captar investimento estrangeiro, responsabilidade no crescimento económico e na criação de emprego", referiu.

Naquele que foi o último encontro de Cavaco Silva com os embaixadores e chefes de missão portugueses enquanto Presidente da República, o chefe de Estado deixou ainda palavras de reconhecimento ao seu "profissionalismo, competência e dedicação" e congratulou-se com o facto da diplomacia económica continuar a ser feita no ministério dos Negócios Estrangeiros.

Antes da intervenção do Presidente da República, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, tinha já deixado uma curta mensagem, sublinhando a honra que tem sido para si, enquanto membro do Governo, e a honra que tem sido para os diplomatas "beneficiar do prestígio, da qualidade, do conselho, do aviso" do chefe de Estado.