O Presidente da República recebeu, em audiência, o secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, esta manhã, às 11:00. A audiência durou 35 minutos e, à saída, António Costa escusou-se a prestar declarações aos jornalistas.

Cavaco Silva, a quem cabe a decisão quanto a um novo executivo, realizou, desde dia 12 de novembro, 31 audiências com confederações patronais, associações empresariais, centrais sindicais, banqueiros, economistas e partidos representados no parlamento eleito nas legislativas de 4 de outubro. 

A Presidência não anunciou a data em que comunicará uma decisão - constitucionalmente não há qualquer prazo definido para tal. 

Há duas semanas que Portugal aguarda por um novo Governo, após a queda do executivo minoritário PSD/CDS-PP a 10 de novembro.

Na sexta-feira, Cavaco Silva recebeu os partidos com assento parlamentar, PSD, CDS-PP, PS, Bloco de Esquerda (BE), Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e o partido Pessoas, Animais, Natureza (PAN). Uma vez mais, a esquerda pressionou o Presidente da República no sentido de dar luz verde a um Governo de iniciativa do PS, indigitando António Costa como primeiro-ministro.

O secretário-geral do PS foi ao Palácio de Belém dizer que os acordos com BE, PCP e PEV garantem um Governo socialista com "condições de estabilidade na perspetiva da legislatura e boas condições de governabilidade". 

Por sua vez, o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, reiterou a existência de "condições para dar posse a governo do PS" e a dirigente do Bloco, Catarina Martins, também deu garantias de apoio a um Executivo socialista.

À direita, Passos Coelho, líder do PSD e primeiro-ministro em funções, fez saber que depois de o PS ter derrubado o Governo de forma "irresponsável", cabe agora aos socialistas construir uma solução governativa com "uma maioria estável, duradoura e credível", que "ainda não tem". Paulo Portas, do CDS, também questionou "a sustentabilidade" do "projeto negativo" liderado pelo PS.

O Executivo PSD/CDS-PP, formado após as eleições de 4 de outubro, caiu no parlamento a 10 de novembro. O PS apresentou uma moção de rejeição que foi aprovada com 123 votos a favor e 107 contra. Nenhum deputado se absteve na votação, mantendo a orientação dada pelas lideranças parlamentares. 

Horas antes, nesse mesmo dia, os partidos mais à esquerda, BE, PCP e PEV, fecharam os acordos com o PS para a formação de um Governo de iniciativa socialista.