O Presidente da República alertou esta terça-feira para a necessidade da salvaguarda da capacidade operacional das Forças Armadas e defendeu uma «especial atenção aos problemas concretos dos militares», sublinhando que «os exércitos não se improvisam, preparam-se».

Aníbal Cavaco Silva proferia na Guarda, nas cerimónias militares das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, um discurso que foi obrigado a interromper por se sentir mal.

Ao fim de cerca de 30 minutos de interrupção, e sem se referir ao motivo da suspensão das cerimónias, o chefe de Estado continuou o seu discurso no ponto onde o tinha deixado.

Cavaco desmaia durante discurso marcado por protesto

Cavaco Silva evocou o centenário do início da Primeira Grande Guerra para pedir uma reflexão no Mundo e na Europa sobre os rumos e as opções que diariamente se assumem e deixar alertas sobre como é essencial a existência de Forças Armadas «prontas e preparadas para servir o país».

«Em termos nacionais, é essencial a existência de Forças Armadas prontas e preparadas para servir o país, com uma capacidade de resposta adequada e assente na eficácia da organização, na qualidade dos equipamentos e na motivação dos seus quadros e tropas. A complexidade do processo obriga a uma preparação rigorosa e demorada. Os Exércitos não se improvisam. Preparam-se», afirmou Cavaco Silva, que é também o comandante supremo das Forças Armadas.

Porém, acrescentou, embora se mantenha a missão primária da defesa de Portugal, a segurança e os interesses nacionais afirmam-se, atualmente, longe nas fronteiras nacionais.

«Sob pena de nos tornarmos um parceiro dispensável e irrelevante na cena internacional onde se joga o nosso futuro e o nosso desenvolvimento, a nossa participação requer a existência de meios e recursos que evitem a degradação das capacidades existentes e que permitam assegurar os necessários níveis de operacionalidade», disse.

Destacando duas áreas de atuação, o Presidente da República reiterou a necessidade de Portugal ter «umas Forças Armadas credíveis, coesas e treinadas, capazes de assegurar o cumprimento das suas missões dentro e fora do território nacional» e enfatizou a a necessidade da ação de comando ser centrada nas pessoas, «dando especial atenção aos problemas concretos dos militares».

Pois, sublinhou, é nas pessoas que reside a determinação das Forças Armadas e é sobre elas que que recai a responsabilidade do exercício da função e que se fazem sentir as maiores dificuldades.

«Pela sua importância e pelos reflexos na coesão, no moral e na disciplina, é legítima a expectativa dos militares quanto ao processo de instalação do Hospital das Forças Armadas e, também, quanto ao resultado do trabalho conjunto, entre os Chefes Militares e a tutela, em relação à proposta de revisão do seu Estatuto», referiu.

No discurso, o chefe de Estado deixou ainda uma nota sobre «a perigosa indiferença» que se assiste hoje na Europa e no Mundo perante importantes questões de segurança «negligenciando-se as causas geradoras de conflitos, nomeadamente o recrudescimento dos nacionalismos e a irrupção das tendências separatistas».

«A segurança e a paz não são dados adquiridos. Dependem da vontade e das decisões de terceiros e da confluência de circunstâncias várias», frisou.

No início do seu discurso, o Presidente da República falou ainda longamente sobre o centenário do início da Primeira Grande Guerra, recordando todos os que morreram e se sacrificaram nos «campos de batalha» da Flandres, de Angola e de Moçambique, assim como as circunstâncias que rodearam a participação de Portugal.