O Presidente da República considera que há sinais recentes de «inversão de ciclo económico» na Europa, mas salientou que é preciso continuar a correção dos desequilíbrios financeiros, promover o crescimento sustentado e dar prioridade ao emprego.

Numa intervenção na XXIII Cimeira Ibero-Americana, Cavaco Silva apontou América Latina como «um importante motor da economia mundial» e o seu desenvolvimento como um «sinal de esperança» e «um potencial para oportunidades de negócio» para a Europa.

O chefe de Estado português defendeu «um relacionamento mais forte entre os países da comunidade ibero-americana», que aproveite o «potencial que, ao nível do comércio e do investimento», no seu entender, «está ainda desaproveitado».

«Nos dois lados do Atlântico, as nossas sociedades têm vindo a sofrer os efeitos da crise financeira, económica e de confiança, desencadeada em 2008. Na Europa - apesar dos recentes sinais positivos de inversão de ciclo económico - será necessário prosseguir no caminho da correção dos desequilíbrios financeiros, recuperando uma trajetória de crescimento sustentado e dando prioridade às medidas de criação de emprego», declarou.

Cavaco Silva acrescentou que, «pelo seu lado, a América Latina continua a apresentar taxas significativas de crescimento económico», referindo que, «apesar de uma certa moderação no seu ritmo, as previsões apontam para uma taxa média de crescimento de 3 por cento em 2013, que será reforçada em 2014».

Segundo o Presidente da República, «este dinamismo económico, associado, em geral, a um ambiente de estabilidade política, de segurança, de previsibilidade jurídica e de estímulo ao investimento privado, constitui um sinal de esperança e representa também para a Europa um potencial para oportunidades de negócio com benefícios mútuos».

Também o primeiro-ministro sustentou que está a começar uma «nova fase» na Europa, dando como ultrapassado o «ciclo de abrandamento económico», num discurso em que defendeu a abertura das economias ibero-americanas e condenou o protecionismo.

Numa intervenção na XXIII Cimeira Ibero-Americana, Passos Coelho afirmou que «as economias de União Europeia, após um longo período recessivo, começam agora a dar sinais encorajadores» e que «está a começar uma nova fase na Europa, em que a recuperação económica dá sinais positivos».

«A produção industrial tem aumentado. A confiança dos mercados está a regressar. As bolsas têm apresentado bons resultados. As perspetivas de negócio têm vindo a melhorar de forma consistente e a confiança dos consumidores tem subido acentuadamente», referiu.

Quanto à situação de Portugal, o chefe do executivo PSD/CDS-PP declarou: «A balança de transações correntes, estruturalmente negativa, deverá agora ser globalmente equilibrada, o ritmo da contração tem vindo a reduzir-se e, apesar da progressiva redução do défice público que prosseguirá no próximo ano, prevê-se que em 2014 o país regresse ao crescimento, com uma economia mais competitiva».