O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, propôs este domingo uma reflexão sobre o regime político português, destinada a encontrar soluções para os problemas de governabilidade, que considerou ser urgente.

«É urgente procedermos a uma reflexão séria sobre o regime político português e encontrarmos em conjunto soluções para os problemas que afetam a governabilidade da nossa República», defendeu o chefe de Estado, na cerimónia comemorativa do 5 de outubro, realizada no salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa.

No discurso, o chefe de Estado afirmou que «os portugueses são dos povos da União Europeia que demonstram maiores níveis de insatisfação com o regime em que vivem», advertindo para o afastamento da vida cívica, para o perigo do populismo e do carreirismo partidário.

Ressalvando que «os portugueses não estão insatisfeitos com a democracia ou com a República», Cavaco Silva assinalou os estudos que evidenciam «a insatisfação dos cidadãos e a sua falta de confiança nas instituições, sobretudo nos partidos».

Na antecâmara das eleições legislativas e em vésperas da discussão do Orçamento do Estado para 2015, Cavaco Silva reiterou o apelo a uma cultura de compromisso político por parte das forças políticas considerando que, caso contrário, há um risco de implosão do atual sistema partidário português.

«Mantendo-se a tendência das forças partidárias para rejeitarem uma cultura de compromisso, não é de excluir, sem qualquer dose de alarmismo, um aumento dos níveis de abstenção para limiares incomportáveis ou a implosão do sistema partidário português tal como o conhecemos», afirmou Cavaco Silva, .

O chefe de Estado acrescentou que «Quem não for capaz de alcançar os compromissos necessários a uma governação estável, poderá alcançar o poder, mas dificilmente terá a garantia de o exercer por muito tempo».

A sessão de discursos de celebração da Implantação da República, nos Paços do Concelho, em Lisboa, foi aberta este domingo por António Costa. Após o hastear da bandeira nacional, na sede da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente da autarquia fez um discurso em que começou por apelar ao restabelecimento dos feriados de 5 de Outubro e 1º de Dezembro.