A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, voltou a sublinhar que o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, “não tem condições” para continuar em funções.

Durante um encontro com os jornalistas, em Portalegre, à margem de uma sessão pública subordinada ao tema “O que traz este Orçamento? O que quer o Bloco?”, Catarina Martins lançou críticas ao Governador.

O BE não fez parte de um Governo que reconduziu Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. Nós temos dito que Carlos Costa não tem condições, quando precisava de ser regulador é banqueiro, quando precisava de defender Portugal cumpre as ordens de Frankfurt e, portanto, temos um problema”, disse.

Para a porta-voz do BE, além do caso relacionado com o Banco de Portugal, os problemas do país passam também pela área financeira.

É verdade, também, que o problema se chama financeiro em Portugal. Não é só o Banco de Portugal. Se a regulação tem de ser mudada é preciso, sobretudo, mudar a legislação que permita o sistema financeiro fazer tudo”, defendeu.

Catarina Martins considerou que “não é preciso alterar a Constituição nem nada do género” para fazer aquilo que “PSD, CDS-PP, e até mesmo PS, se recusaram a fazer” até esta altura.

Na opinião da porta-voz do BE, deve-se “separar” o que é vendido nos balcões, para que “não haja” mais lesados do BES e do Banif, “ter auditorias que são verdadeiramente auditorias e não pagas pelos próprios bancos”, responsabilizar quem “foge” às suas obrigações e, quando há dinheiro público envolvido, desenvolver uma gestão pública “em nome do interesse público”.

“Tudo isto tem faltado. É bom começarmos pelo princípio, pôr o sistema financeiro na ordem e não arranjar mais desculpas para adiar ainda mais fazer o que precisa de ser feito no nosso país”, defendeu.

Refugiados: BE desafia PS a questionar Guterres sobre a situação na Turquia

Catarina Martins desafiou, também, o PS a questionar António Guterres sobre a situação na Turquia, quanto à questão dos refugiados, considerando que está em marcha uma “verdadeira catástrofe humanitária”.

O que está a ser preparado para a Turquia é uma verdadeira catástrofe humanitária que a própria Organização das Nações Unidas (ONU) já condenou e, portanto, talvez não fosse mau que o PS perguntasse a António Guterres, por exemplo, o que é que considera deste plano entre a União Europeia e a Turquia”, disse.

Para a porta-voz do BE o Governo português não deve participar neste programa.

O que há a fazer neste caso, é o Governo retirar a proposta de participar num programa que é uma catástrofe humanitária anunciada”, declarou.

Sobre as dotações que o Orçamento do Estado (OE) prevê para a Grécia, Catarina Martins criticou a posição do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, sublinhando que os partidos devem ser “coerentes” sobre esta matéria.

“Os partidos devem ser coerentes com aquilo que defendem, todo o país se lembra de ver Passos Coelho a congratular-se, em Bruxelas, com o memorando que foi imposto ao governo grego, na altura até dizia “por acaso foi ideia minha parte dele”, e agora está contra”, disse.

Catarina Martins fez questão de sublinhar que o BE não vai “impor” a austeridade na Europa, quando a mesma está a “acabar” em Portugal.

“Nós no BE não temos duas palavras nem dois votos. Nós não vamos impor a nenhum povo a austeridade, que começamos a acabar com ela aqui em Portugal, e esse é o único voto do BE, um voto contra a austeridade na União Europeia”, afirmou.