O Bloco de Esquerda definiu este domingo como prioridade a rápida concretização do acordo político na base do Governo PS e excluiu em absoluto a desistência da sua candidata presidencial, Marisa Matias, antes da primeira volta das eleições.

Estas posições foram transmitidas pela porta-voz desta força política, Catarina Martins, em conferência de imprensa, a meio de uma reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda

Questionada se a candidata presidencial do Bloco de Esquerda admite desistir a favor da candidatura de Sampaio da Nóvoa, tendo em vista concentrar votos à esquerda, Catarina Martins respondeu: "Marisa Matias vai a votos" e "tem como objetivo passar à segunda volta".

Sobre a questão das presidenciais, Catarina Martins definiu como meta impedir a eleição "do candidato apoiado pela direita" Marcelo Rebelo de Sousa logo à primeira volta, fez duras críticas à candidatura da socialista Maria de Belém por "sobrepor as regras europeias à Constituição da República" e excluiu qualquer concentração de votos a favor da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa.

"Se há algo que as eleições legislativas nos ensinaram é que os excessos de tacticismo aritmético falham. Pelo contrário, a mobilização da esquerda é que torna possível a alteração do panorama político em Portugal", sustentou.


De acordo com a tese da porta-voz do Bloco de Esquerda, a lição das últimas legislativas "é que o milhão de pessoas que votou à esquerda do centro, que votou à esquerda do PS, é que foi promotor de mudanças em Portugal".

"Nas eleições presidenciais, da mesma forma, é também quem se posiciona à esquerda sem ambiguidades quem está em melhores condições para uma mudança. Começaram estas eleições presidenciais com a ideia de que Marcelo Rebelo de Sousa ganharia à primeira volta e que o próximo Presidente da República continuaria a ser uma figura de apoio ao PSD e ao CDS-PP, mas essa realidade está a mudar e é cada vez mais provável a existência de uma segunda volta. A candidatura de Marisa Matias e a mobilização da esquerda foi essencial para este processo", advogou.


Na conferência de imprensa, Catarina Martins referiu-se também ao recém-formado Governo socialista, alegando que o Bloco de Esquerda "já cumpriu a etapa de afastar a direita do poder" e de ter negociado com o PS "um programa que se destina a parar com o empobrecimento, recuperar rendimentos do trabalho (salários e pensões), parar privatizações e proteger o Estado social.

"A prioridade do Bloco de Esquerda é agora a implementação deste acordo que fizemos com o PS, no qual seja possível concretizar no mais curto período de tempo possível as medidas nele previstas. É necessário que no mais curto de tempo possível sejam revertidas as privatizações dos transportes coletivos, sejam recuperados salários e pensões, que se proceda ao descongelamento das pensões e se abra o processo de aumento do salário mínimo nacional", apontou.


Ainda em relação ao caderno de encargos do Governo do PS referido pela porta-voz do Bloco de Esquerda, foi especificada a necessidade do estabelecimento "de garantias do ponto de vista fiscal para que não existam mais penhoras de habitação própria".

"Esperamos que seja possível que as famílias com menores rendimentos tenham acesso automático à tarifa social de energia, permitindo que não haja casas sem luz no nosso país. É preciso também repor os feriados, as 35 horas semanais e reforçar os mecanismos para o combate à precariedade e ao abuso laboral", acrescentou.