Catarina Martins diz que o primeiro-ministro e líder da coligação Portugal à Frente "diz o que lhe apetece" e anda "de lapso em lapso até à mentira final". E sobre os "cofres apetrechados" a que o chefe do Governo se referiu, esta terça-feira, a porta-voz do Bloco de Esquerda foi perentória; os cofres cheios são "dívidas gigantescas" para com os trabalhadores e pensionistas deste país.

A dirigente bloquista reagiu às palavras do chefe do Executivo PSD/CDS-PP à margem de uma iniciativa de campanha do Bloco de Esquerda a um centro de investigação do Instituto Politécnico de Leiria, em Peniche.

Questionada sobre "os cofres apetrechados" a que o primeiro-ministro se referiu, a propósito do adiamento da venda do Novo Banco, Catarina Martins aproveitou para criticar o "lapso" de Passos Coelho sobre o pagamento antecipado que não era ao FMI, como disse o chefe do Executivo, mas antes uma obrigação do Tesouro.

"Passos Coelho tem dito tudo o que lhe apetece, e acho muito bem que o faça, a correspondência com a realidade é que nem sempre é facil de ver. Por exemplo, ontem soubemos que a dívida pública estava em máximos históricos e Pedro Passos Coelho achou por bem dizer que decidiu antecipar o pagamento e afinal era um lapso. Pedro Passos Coelho anda assim, de lapso em lapso, atá à mentira final."


Quanto aos cofres, que o primeiro-ministro garantiu estarem cheios para fazer face a "qualquer perturbação de mercado que possa acontecer", Catarina Martins não tem dúvidas: esses cofres são "dívidas gigantescas" para com os trabalhadores portugueses.

 "O discurso dos cofres cheios ofende as pessoas. Os cofres cheios de que Pedro Passos Coelho se gaba são dívidas gigantescas para com as pessoas que trabalham e trabalharam para este país."


A porta-voz do BE sublinhou que os cofres do Estado ficaram "cheios" à custa dos cortes aos "pensionistas", dos cortes aos "funcionários públicos", à custa dos "salários baixos" e da "precariedade".  
 
"O que são cofres cheios? Estarão cheios de dívidas aos pensionistas, que ficaram sem sete meses das suas pensões nestes últimos quatro anos, Estarão cheios de sete meses que foram retirados aos funcionários públicos? Estarão cheios do abono de familia que foi retirado a um milhão de crianças? Estarão cheios do complemento solidário do idoso que foi retirado a mais de 70 mil idosos pobres no nosso país? Estarão cheios dos salários baixos  e da precariedade?"