A porta-voz do BE Catarina Martins acusou, nesta sexta-feira, a direita de não conhecer o acordo entre os partidos de esquerda e de olhar para o “privilégio dos mais ricos” como a “natureza da política”.

“Quando Pedro Passos Coelho dizia que até à data só vê no acordo [de esquerda] medidas que agravam a despesa, eu acho que ficam duas coisas claras: primeiro, é que a direita não conhece o acordo; segunda, é que, para a direita, o privilégio dos mais ricos é a natureza da política, quando chega às pessoas tudo é despesa”, afirmou Catarina Martins durante um jantar da concelhia do BE da Maia.

A líder bloquista, que falava momentos depois da entrevista de Passos Coelho na RTP, disse também não ser este o momento “mais adequado” para a direita falar de “estabilidade ou consistência”, lembrando que “na campanha eleitoral prometia a devolução de 35% da sobretaxa [do IRS] e agora afinal é zero por cento”.

Ainda sobre as declarações de Passos Coelho, acrescentou: “Vemos também a direita muito preocupada porque considera que o facto de o PR poder ter um governo suportado à esquerda pode criar problemas orçamentais e de défice complicados ao país.”

“Talvez não se lembrem que não cumpriram uma única meta do défice e que a dívida mais que triplicou em relação ao que estava previsto nestes quatro anos”, atirou.

Durante o discurso, Catarina Martins assumiu que “na nova maioria que há hoje na Assembleia da República há um compromisso que une forças políticas que são diferentes”.

“Nada de pior faríamos ao país que esconder essas diferenças, mas assumimos a responsabilidade de dar corpo ao que foi o resultado eleitoral”, realçou a porta-voz, assinalando que o acordo à esquerda pode não ser capaz de dar resposta a tudo mas que “é capaz de fazer mudanças concretas na vida das pessoas”.

Catarina Martins frisou que “não há ninguém que não tenha a certeza que o BE cumprirá este acordo e é por isso que este acordo pode ser estável e durar toda uma legislatura”.

“Nunca faltaremos a essa responsabilidade e à estabilidade de uma solução assim porque ela reside na estabilidade da vida das pessoas e é essa que conta em primeiro lugar”, sublinhou, acrescentando que “este não é um acordo de gabinete, é o espelho da mudança que acontece no país”.