Catarina Martins considera que a campanha eleitoral da direita "morreu" esta quarta-feira. A porta-voz do Bloco de Esquerda reagiu, assim, à notícia do aumento do défice de 2014 em 7,2%, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística. Um aumento que se prende com o impacto do adiamento da venda Novo Banco.

"Hoje é o dia em que a campanha eleitoral da direita morreu." 

A dirigente bloquista já tinha antecipado a confirmação do aumento do défice na terça-feira, num comício em Leiria, dizendo que hoje "era dia de o Governo prestar contas". Mas esta quarta-feira foi mais longe, reiterando que, agora, "a direita não tem argumentos para se apresentar às próximas eleições". 

"A direita não tem hoje nenhum argumento para se apresentar a estas eleições, porque depois de ter dito que os sacrifícios serviam para controlar o défice, o défice está igual a 2011."


A candidata às legislativas sublinhou que este aumento do défice revela duas mentiras do Governo: a de que a austeridade deu resultados ao longo dos últimos quatro anos e a de que o BES não teria custos para os contibuintes.

Apesar de o primeiro-ministro já ter defendido que se trata apenas de um "dado estatístico", Catarina Martins afirmou que "se está nas contas públicas, são as pessoas que pagam". 

"Mais défice é mais dívida e mais dívida é um país mais pobre. [...] Está nas contas públicas logo são as pessoas que pagam."

E lembrou exemplos antigos para desvalorizar as palavras de Pedro Passos Coelho.

"Lembro-me que Durão Barroso dizia que os estádios também não iam custar aos portugueses, que eram um problema contabilístico. Também ouvimos sucessivos governos, tanto do PSD como do PS, dizer que as PPP [parcerias público-privadas] não eram problema nenhum, que não contavam para o défice",


As declarações de Catarina Martins foram proferidas esta quarta-feira durante uma ação de campanha no Metro Sul do Tejo, onde também esteve a cabeça de lista pelo círculo de Setúbal, Joana Mortágua.