O BE, Podemos e França Insubmissa, três partidos do Sul da Europa, lançaram esta quinta-feira o movimento político europeu "Agora, o povo", uma "alternativa concreta, com as pessoas no centro" para "uma nova cooperação europeia" contra os tratados atuais.

O Bloco de Esquerda juntamente com o Podemos e com a França Insubmissa dá hoje o passo para a criação de um movimento político europeu que ofereça uma alternativa aos nossos povos em relação aos tratados que estão hoje a impor tantas dificuldades aos vários países europeus", disse Catarina Martins aos jornalistas, em conferência de imprensa, ladeada pelos líderes dos partidos Podemos e França Insubmissa, Pablo Iglesias e Jean-Luc Mélenchon, respetivamente.

Os três líderes partidários assinaram "a declaração de Lisboa por uma revolução cidadão na Europa" uma vez que acreditam, disse a coordenadora bloquista, ser "possível uma nova cooperação europeia, diferente dos moldes em que tem existido e que possa pôr no centro a vida das pessoas".

A União Europeia tem tratados que põem as prioridades de pernas para o ar. Oferecer uma alternativa concreta, que põe as pessoas no centro. Agora, o povo. E que chama para construir essa alternativa forças políticas dos vários países europeus, movimentos sociais, todas as pessoas que não desistem de um futuro com dignidade dos nossos países", justificou.

Catarina Martins defendeu a necessidade de um Europa que "em vez de pôr a finança e o sistema financeiro no lugar primordial de todas as decisões europeias, possa colocar questões tão estratégicas como essenciais aos nossos povos como o acesso à saúde, à escola, à habitação, o investimento público necessário aos setores estratégicos da economia para que possa existir emprego".

A União Europeia tem estado numa espiral de degradação das condições da sua democracia social. Aqui estamos três forças políticas do Sul da Europa empenhadas em, conjuntamente, criarmos uma nova cooperação europeia, que em lugar de retirar soberania aos povos, ponha a resposta aos povos no centro da política", enfatizou.

A líder bloquista deu o exemplo de Portugal, onde apesar da vida ter melhorado, as pessoas "perguntam-se todos os dias se tem sentido dar tanto dinheiro aos bancos e depois faltar tudo nos nossos hospitais ou nas nossas escolas".

Este movimento cria-se hoje aqui, com estas três forças políticas, e a ideia é essa mesmo: alargar a outros países e outros partidos", garantiu.

Por toda a Europa, prosseguiu Catarina Martins, "há forças que se organizam para dar uma alternativa de cooperação".

E o que este movimento cria é o espaço para o encontro dessas forças políticas, para criarmos alternativas concretas, credíveis, de organização no seio da Europa que possam respeitar os nossos povos", concretizou.