Em entrevista quarta-feira no Jornal das 8 da TVI, Catarina Martins considerou haver um ”tratamento discricionário e arbitrário contra o nosso país” por parte da Comissão Europeia, a quem o governo deve exigir o encerramento do processo de sanções.

Antes de começarmos a discutir se as sanções devem ser ou não simbólicas, não devemos desistir da posição de princípio de que são ilegítimas e devem ser recusadas”, sustentou a coordenadora do BE.

Tendo em conta que Portugal tem um prazo de dez dias para apresentar a sua posição em Bruxelas, Catarina Martins admitiu que “o governo português esta a fazer o que deve nesta altura”, mesmo que o Bloco de Esquerda mantenha “divergências com o Partido Socialista na forma como encara as instituições europeias”.

Para o Bloco, é necessário ser-se “muito claro numa contestação dentro das regras europeias a este processo específico”, o que “significa resistir à chantagem que está a ser feita”.

A Comissão Europeia reconhece que o défice este ano vai ficar abaixo de 3% e está a pedir medidas para corrigir o que aconteceu em 2015, quando este ano não é preciso correção nenhuma. Isto é chantagem”, acusou Catarina Martins.

Durão Barroso premiado

Insistindo na ideia de que “a Comissão Europeia quer continuemos a vender os setores estratégicos da nossa economia aos grandes interesses financeiros internacionais”, a líder do BE acusou ainda a estrutura atual da União Europeia de estar para servir os interesses da finança internacional.

Julgo que Durão Barros está a ser premiado pelo Goldman Sachs pelo bom trabalho que fez ao serviço da finança e não seguramente ao serviço das pessoas”, argumentou Catarina Martins, concluindo ser a única justificação para que o ex-presidente da Comissão, “que nunca foi empresário, nem nunca foi banqueiro esteja agora a presidir a um banco. Não é com certeza pela experiencia que tem.”

Cobrar mais às empresas

Sobre o próximo Orçamento do Estado, Catarina Martins assumiu estra o Bloco já a trabalhar nas suas propostas para o documento, que serão negociadas com o governo e deverão passar pela reversão do IRC.

Como se sabe, o anterior governo desceu muito os impostos às empresas e aumentou muito os impostos sobre as pessoas. Para que se perceba, os impostos sobre as grandes empresas, porque as Pequenas e Médias Empresas, coitadas, têm uma carga fiscal tremenda sobre elas”, salientou.

Catarina Martins deixa assim antever alterações fiscais para propor em sede de debate do Orçamento de Estado para 2017, da parte do Bloco de Esquerda.

Temos estado a identificar zonas em que consideramos que há muita injustiça, seja a fiscal, sejam as rendas da energia, seja o caso das PPP”, adiantou a líder do BE, assumindo que o seu partido fará propostas ao executivo.