A coordenadora do BE, Catarina Martins, disse este domingo ver "com alguma estranheza" o modelo da iniciativa do Governo para assinalar os dois anos de mandato, recomendando o usado pelos bloquistas, com sessões abertas às pessoas que queiram participar.

Na conferência de imprensa após a Mesa Nacional do BE, que hoje decorreu em Lisboa, Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre a sessão em que os membros do executivo responderem a questões colocadas por cidadãos para tal recrutados, com a qual o Governo assinalou hoje em Aveiro dois anos de mandato, iniciativa que está a gerar polémica.

O Bloco de Esquerda vê com alguma estranheza que a iniciativa tenha que ser tomada dessa forma, no sentido em que o Bloco de Esquerda tem feito sessões sobre os mais variados temas em todo o país, incluindo sobre o Orçamento do Estado, abertas a todas as pessoas, em que todo o país faz as perguntas que entende quando vai às sessões", afirmou.

A coordenadora do BE referiu que o partido tem feito "uma apreciação muito positiva desta liberdade de toda a gente poder participar".

Tem corrido particularmente bem. É um modelo que nós recomendamos", atirou.

Catarina Martins tinha começado por responder que era "um pouco difícil de compreender até" toda esta questão e que "gostaria que a comunicação social dedicasse tanto tempo aos lucros da EDP ou à cooperação estruturada permanente, que está a ser decidida na Europa, como tem dedicado a este focus group".

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Questionada sobre o balanço que o BE faz destes dois anos do Governo - executivo que o partido apoia no parlamento - a líder bloquista destacou que está a ser levada a cabo uma "recuperação de rendimentos do trabalho que é muito positiva" porque "contraria uma perda que existia a cada dia, que se passava com uma maioria de direita".

No entanto há, na opinião de Catarina Martins, "limitações" em três áreas fundamentais, sendo a primeira "a reposição da capacidade dos serviços públicos de responderem à população".

Por outro, a alteração da legislação laboral que permita a valorização salarial e a recuperação de direitos no setor privado e ainda medidas que trabalhem pelos problemas estruturais da economia portuguesa, combatendo os grandes grupos económicos que têm o Estado refém dos seus interesses e reestruturando a dívida pública", detalhou.

Na sexta-feira, o executivo anunciou que as perguntas da sessão seriam elaboradas pelos cidadãos que iam participar num inquérito quantitativo de avaliação ao segundo ano do Governo, organizado pela Universidade de Aveiro, sob coordenação do professor universitário Carlos Jalali.

Já no sábado, o jornal Sol noticiou que o Governo liderado por António Costa vai pagar 36.750 euros a um grupo de 50 cidadãos, que participa num estudo na Universidade de Aveiro e depois iria fazer perguntas ao executivo.

Posteriormente, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas afirmou que as perguntas e os participantes na sessão eram da responsabilidade da Universidade de Aveiro, rejeitando que houvesse pessoas contratadas.

Na plataforma dos contratos públicos online consta um contrato, no valor referido, referente à "aquisição de serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional", realizado com a Aximage Comunicação e Imagem Lda.

Um segundo contrato, este no valor de 19.000 euros, foi realizado com a Universidade de Aveiro tendo como objeto a "aquisição de serviços de desenho, realização de estudo quantitativo e moderação do grupo de inquiridos" no âmbito da mesma iniciativa.