A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) receia que Portugal seja o país que mais depressa e em mais força sinta as consequências de uma recessão económica caso a Grécia deixe de estar no Euro.

Catarina Martins, que falava à margem de uma arruada onde participou este sábado, junto à praia de Espinho (Aveiro), considerou que retirar a Grécia do Euro não significa “19 menos 1 no Euro”, significa "zero" e acrescentou que “Portugal vai ser o país que mais depressa e em mais força terá as consequências de uma recessão económica que isso pode provocar”.

A bloquista afirmou que, "se a austeridade é a moeda única da União Europeia, a moeda única não serve" e criticou o governo português por estar a “trabalhar” contra o próprio país, ao ficar ao lado das instituições que fazem chantagem com a Grécia.

“Quando o governo português fica ao lado de quem faz chantagem com a Grécia, quando o governo português se põe ao lado dos que estão a trabalhar para que a Grécia saía do Euro, está a trabalhar contra o nosso país”, declarou Catarina Martins, durante uma arruada que fez hoje junto à praia de Espinho (Aveiro).

Catarina Martins considera também que tem sido feita uma “chantagem imensa feita pelo Banco Central Europeu e outras instituições, protagonizada pelo ministro alemão das Finanças, que está interessado em expulsar a Grécia do Euro, e sobre essa chantagem o governo grego e o parlamento aprovaram uma proposta aos credores, que, tendo medidas que são as que defenderam, como já o disseram, conseguem melhor do que aquilo que lhes tinham prometido”, explicou.

“É muito cedo ainda para sabermos o que vai acontecer. Uma coisa é certa: ou a Europa assume a responsabilidade da solidariedade e assume a responsabilidade para com o futuro, ou uma Europa em que o desemprego jovem é o maior défice e o maior drama para o futuro, será uma Europa em desagregação”, conclui a porta-voz do BE, referindo que se está a viver “o momento de todas as escolhas e de todas as decisões”.

A notícia de um documento que defende um cenário de uma saída temporária da Grécia da zona euro, alegadamente da autoria da delegação alemã, está a marcar a reunião de hoje do Eurogrupo em Bruxelas, para já sem perspetivas de acordo.

A edição “online” do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung noticiou que foi posto a circular um documento do ministério das Finanças alemão que propõe dois caminhos para ultrapassar a atual situação, sendo um deles uma saída ordenada e temporária da Grécia da zona euro, por cinco anos, acompanhada de ajuda humanitária, e o outro a venda de património do Estado, num valor de cerca de 50 mil milhões de euros.