A porta-voz do BE, Catarina Martins, considerou esta terça-feira, no Seixal, que é «inaceitável» que o Governo diga que há alívio na austeridade, «quando anuncia a intenção de cortar 600 milhões de euros nas pensões».

«É inaceitável que o Governo diga que há alívio na austeridade, porque vai cortar 600 milhões de euros nas pensões. Os três milhões de pessoas em Portugal que têm mais de 60 anos são tão cidadãos como todos os outros, e, portanto, se há mais austeridade para os pensionistas, há mais austeridade.»


Para Catarina Martins, que falava à Lusa após uma visita à Universidade Sénior do Seixal, no distrito de Setúbal, as gerações mais velhas têm sido «duplamente maltratadas», porque, apesar dos cortes nas pensões de reforma, continuam a ser o suporte de filhos e netos.

«Por um lado, porque são as [gerações mais velhas] que têm sofrido mais cortes por parte do Governo: cortes nas pensões, para as quais descontaram toda uma vida - com a expectativa, legítima, de terem depois uma pensão determinada, conforme os seus descontos -, cortes no acesso à saúde, cortes no acesso aos transportes, enfim, todo o tipo de cortes, que fazem com que seja difícil chegar ao fim do mês.»

«Mas também têm sido penalizadas uma segunda vez, porque, num país que não há expectativas de vida às gerações mais novas, as gerações mais velhas, que já suportam estes cortes, são as que estão a ajudar os filhos e os netos.»


Para Catarina Martins, «não é, por isso, aceitável cortar mais em quem continua a ser o suporte das gerações mais novas», porque «não vai ficar ninguém melhor por se se cortar nas pensões dos mais velhos».

«E depois não é aceitável que se venha dar como moeda de troca cortar nos pais ou nos avós, dizendo que assim se corta menos nos filhos ou nos netos. Não só é mentira como é uma vergonha indescritível, que um Governo queira pôr gerações contra gerações. Ninguém vive melhor se os seus pais ou avós viverem pior.»


Na semana passada, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou que o Governo prevê poupar 600 milhões de euros em 2016 com uma reforma do sistema de pensões, mas não esclareceu como pretende fazê-lo