A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o ministro da Educação, Nuno Crato, de roubar recursos à escola pública e privilegiar o negócio privado das escolas, através da aprovação do «cheque-ensino» para os alunos da privada.

«É esse o projeto de Nuno Crato: degradou a escola pública e agora quer colocar os poucos recursos na escola privada. Chama-lhe cheque-ensino, diz que é a liberdade de escolher», criticou Catarina Martins, durante um jantar comício nesta sexta-feira, no Algarve, no âmbito da campanha do BE para as eleições autárquicas.

O Conselho de Ministros aprovou quinta-feira passada o cheque-ensino, dado a cada aluno, no âmbito do novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo.

A coordenadora do BE lamentou o ponto de degradação a que chegou a escola pública pela mão de Nuno Crato e advertiu que a solução que o Governo de Pedro Passos Coelho encontrou foi «colocar os poucos recursos que ainda há na escola pública ao serviço da escola privada, tirar da escola pública que é para todos e para todas, para entregar à escola privada dos mais privilegiados».

«O que nós sabemos é que o cheque-ensino é não só uma forma de roubar recursos à escola pública para entregar ao negócio privado das escolas privadas, como é também uma forma de aumentar as desigualdades sociais», acusou a bloquista.

Classificando a medida do cheque-ensino como «mais um ataque ao Estado social» e às famílias mais pobres, Catarina Martins informou que, desde o 25 de abril, este Governo PSD/CDS-PP «foi o primeiro a ter um investimento em Educação que é inferior à média europeia».

«Somos o país da Europa que menos investe em Educação, quando somos o país da Europa cujo seu maior défice é a qualificação», acrescentou.

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação acusou quinta-feira o Governo de «proteger as escolas privadas» com o cheque ensino.

A Federação Nacional da Educação defendeu, por seu turno, que o Estado não pode desresponsabilizar-se ou transferir para outros a garantia da existência de um sistema de ensino estatal que promova com equidade o sucesso da educação de todos.

Catarina Martins recordou que o sistema de cheque-ensino, que foi utilizado na Suécia, teve maus resultados, designadamente que as notas dos estudantes pioraram e que «a qualidade do ensino degradou-se», «aumentando as desigualdades», beneficiava «sempre e só» as crianças e os jovens filhos das famílias com contextos socioeconómicos mais elevados.