A coordenadora bloquista, Catarina Martins, avisou este domingo que o "teste da esquerda" é responder à falta de investimento e que é "na timidez do PS que as direitas apostam", considerando que recuperar o país não é irresponsável nem eleitoralista.

No discurso de encerramento da ‘rentrée’ bloquista, Catarina Martins não poupou nos avisos e críticas a António Costa e ao Governo do PS para o último ano de legislatura, que o BE sabe que será “duro”.

Há demasiados anos que falta investimento. E é a esta insatisfação que temos de responder com coragem. É este o teste da esquerda e é na timidez do PS que as direitas apostam", declarou.

Para a coordenadora do BE, "continuar o caminho de recuperação do país não põe as contas públicas em risco, não é irresponsável e muito menos eleitoralista".

"Contas certas não é défice zero”

A coordenadora do BE defendeu assim que "contas certas não é um défice zero" para lançar o PS nas eleições e o ministro das Finanças "nas suas ambições europeias", acusando o Governo de irresponsabilidade quando recuou em investimentos necessários.

No discurso de encerramento do Fórum Socialismo 2018, a ‘rentrée’ bloquista que decorreu em Leiria, Catarina Martins garantiu que, "para o BE, contas certas são essenciais", mas não podem passar por "um défice zero, para Bruxelas ver, quando falta o essencial na CP ou no Serviço Nacional de Saúde".

A líder do BE considerou que o Governo "nem sempre esteve à altura da sua responsabilidade" e chegou mesmo a ser "irresponsável de cada vez que virou as costas a uma emergência social", "deixou na gaveta uma despesa necessária" ou "deixou que o investimento público caísse para mínimos históricos".

E o mais grave é que a razão para esses recuos não foi a limitação de recursos. Sabem porque recuou o PS? Para poder garantir um ‘outdoor’ de campanha eleitoral que diga, para dentro e para fora, ‘conseguimos o défice zero'. Um outdoor que lance o PS nas eleições nacionais e Mário Centeno nas suas ambições europeias", criticou.

Catarina Martins recusa assim "o endeusamento do défice zero", que diz ser "a validação da retórica da direita ‘austeritária’ que não foi nem será solução para o país".

Disfarçar o défice das contas aumentando o défice social e depauperando serviços públicos, destruindo a capacidade do Estado de responder às populações, é irresponsável", criticou.

Responsabilidade, na opinião da líder bloquista, teve o BE ao "apresentar soluções para problemas, responder às urgências das pessoas e ir até ao fim".

Ao contributo decisivo do Bloco de Esquerda se devem muitas das medidas que fazem hoje parte da nossa vida e que o Governo, em boa hora, assumiu e adotou", sublinhou.