A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, diz que o acordo com o PS que levou à formação do Governo tem muitas limitações e riscos, nomeadamente nas questões ambientais, onde não espera uma mudança de paradigma.

Intervindo na noite de quinta-feira, na Figueira da Foz, distrito de Coimbra, numa sessão sobre alterações climáticas, Catarina Martins sublinhou que embora os bloquistas estejam "verdadeiramente convictos e determinados de que é um bom acordo, porque trava o empobrecimento do país", assumem que "tem muitas limitações, como também tem muitos riscos" dado o governo ser do PS e não do Bloco de Esquerda.

"É um Governo que assume, em boa medida, continuar algumas coisas como sempre foram até aqui e não é só em matérias como não querer reestruturar a dívida ou assumir que é possível cumprir constrangimentos europeus, que são um problema para o país e nos retiram possibilidades todos os dias. Significa também que não temos aqui uma mudança de paradigma de como é que olhamos, do ponto de vista estrutural, para o país e a questão ambiental será claramente uma questão sempre dura"


"Não há uma alteração de paradigma tão forte que nos permita dizer que isto agora vai correr bem", acrescentou a porta-voz do BE, garantindo que o Bloco "não desiste dessa luta e dessa reivindicação".

Catarina Martins garantiu que o Bloco de Esquerda intervirá na Assembleia da República em prol de questões ambientais da mesma forma que o faz em defesa do ativista angolano Luaty Beirão, com "todos" os restantes partidos "muito incomodados".

"Falaremos certamente das questões ambientais de uma forma que muitos vão ficar incomodados, porque têm uma outra lógica sempre muito imediatista, muito da obra pública, muito do interesse autárquico ou do interesse de negócio que nós não vamos aceitar", sublinhou.

"Temos de manter e aumentar a pressão sobre as causas ambientais, é a única forma de termos resultados concretos. Se acharmos que há algum acordo de gabinete que vai garantir estes resultados concretos, não há", alegou.
 

Política "não pode ser medida pelo discurso da Miss Universo"


Catarina Martins disse ainda que a política "não pode ser medida pelo discurso da Miss Universo" e que os partidos têm de ser consequentes quando manifestam preocupações com a paz ou o clima.

"Estamos todos de acordo, queremos todos a paz e estamos todos muito preocupados com o clima. Só que a política não pode ser medida pelo discurso da Miss Universo, tem de ser medida pela capacidade que temos de fazer propostas e de sermos consequentes com aquilo que defendemos".


Segundo a porta-voz do Bloco de Esquerda, "os deputados de vários grupos parlamentares" na Assembleia da República "foram convidados a ir para o plenário [hoje] com umas velinhas e acenderem umas velinhas em nome da paz", o que os deputados bloquistas não vão fazer.

"O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda não vai fazer isso", disse Catarina Martins, que não esclareceu quem fez o convite, justificando a recusa dado que, "com exceção do PCP", os restantes partidos da Assembleia da República [PSD, CDS-PP e PS], que poderão acender uma vela pela paz, incluem-se no lote de partidos europeus "que chumbaram todas as propostas que o Bloco de Esquerda fez no Parlamento Europeu para travar a venda de armas ao autodenominado Estado Islâmico".

"Portanto, nós podemos acender velinhas pela paz mas depois é preciso saber o que é que se faz, ou não, por isso", alegou, comparando esta iniciativa à cimeira do Clima, realizada em Paris.