Por: Redacção / FC | 3- 2- 2012 21: 22
O Governo decidiu não dar tolerância de ponto neste Carnaval. Só Cavaco Silva tomou uma decisão semelhante, quando
era primeiro-ministro. Aconteceu em 1993 e nessa altura a contestação social foi grande, levando mesmo os seus sucessores
a fazerem regressar a comemoração oficial, com pausa oficial.
Nessa altura o país também vivia dias de crise e falava-se
na necessidade de aumentar a produtividade. O Governo decretou: «Não se gozará o feriado de Carnaval.»
O resultado
foi muitos funcionários públicos a trabalharem mascarados e até os deputados não apareceram no Parlamento. Depois disso, nenhum
Governo ousou mexer na Terça-Feira Gorda, que este ano seria comemorada a 21 de Fevereiro.
Já surgiram reacções
O
presidente da Fundação do Carnaval de Ovar defende que, ao não autorizar a tolerância de ponto no Carnaval, Passos Coelho
revela desconhecer a realidade do país e ser «um mau gestor que há-de ser responsabilizado» por isso.
Em declarações
à Lusa, José Américo Sá Pinto afirmou: «Com esta postura, Passos Coelho revela que desconhece a realidade do país, em particular
de dezenas de municípios - talvez já centenas - que fazem do Carnaval um evento que gera riqueza a nível nacional».
Referindo-se
à «abundância de assessores» que aconselham o governante, o presidente da Fundação lamenta que nenhum tenha sabido demonstrar
a Passos Coelho que esta decisão «faz dele um mau gestor, na medida em que ele está a impedir que o Carnaval - de todos os
municípios e não só o de Ovar - consiga atingir os objectivos a que as autarquias se propõem em termos de promoção da riqueza
local e regional».
«Se Ovar recebe meio milhão de pessoas no Carnaval, mesmo que cada uma se limitasse a gastar só
um euro, isso representaria, só por si, meio milhão de euros», acrescentou.
Já o o presidente da câmara de Loulé,
Seruca Emídio, considera «muto negativa» a decisão do Governo de não dar tolerância de ponto no Carnaval e defende maior flexibilidade
para os locais onde as festividades têm maior tradição.
«A decisão do Governo vai trazer consequências muito negativas
para os concelhos onde o Carnaval tem maior tradição e onde as organizações investem quantias significativas», disse à Lusa
Seruca Emídio, presidente da câmara Municipal de Loulé, no Algarve.
«Compreendemos a situação do país e a necessidade
de não se desperdiçarem horas de trabalho, mas estas medidas, tomadas assim de forma indiscriminada, também não me parece
que sejam as adequadas», afirmou o autarca.
Inadmissível
O secretário-geral da CGTP considerou
inadmissível que o Governo não dê a tradicional tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval,
castigando-os com mais um dia de trabalho.
«Esta é mais uma medida inadmissível e que mostra a opção do Governo em
castigar os trabalhadores com mais um dia de trabalho», disse Arménio Carlos, considerado que a decisão do primeiro-ministro
«não faz sentido» e mostra «uma obsessão doentia em tratar mal os trabalhadores». Disse ainda que acredita que «muitas empresas
privadas vão manter este feriado, porque isto não tem nada a ver com produtividade».
A sindicalista Ana Avoila, da
Frente Comum, disse que o Governo «anda o ano inteiro a brincar ao Carnaval» e prometeu uma «resposta adequada» dos trabalhadores
à decisão do Executivo de não dar tolerância de ponto no Carnaval.
«Não vale a pena senhor primeiro-ministro dizer
que não se percebia [dar a tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval] porque o que não se percebe é o Governo enganar
os trabalhadores, fazer-se de social-democrata e andar o ano inteiro a brincar ao Carnaval com políticas reaccionárias e de
empobrecimento dos trabalhadores», disse Ana Avoila à agência Lusa.
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