O deputado socialista Carlos Zorrinho rejeitou hoje qualquer apoio do PS ao que considerou um «consenso para o empobrecimento», após o antigo primeiro-ministro português Durão Barroso defender um entendimento político para facilitar uma «saída limpa» do programa de resgate.

«O PS não pode deixar de notar que Durão Barroso continua a ser o presidente da Comissão Europeia e, embora esteja em final de mandato, isso não lhe cria condições para que possa interferir na política nacional, em particular num dos Estados-membros, na defesa do seu partido», disse à Lusa.

O anterior líder parlamentar do PS afirmou que o seu partido é «a favor de um consenso, pelo crescimento, pelo emprego» e não «a favor de consenso pelo empobrecimento».

«Esse consenso pelo empobrecimento é aquilo que Durão Barroso vem defender, recomendar a Portugal, mas, em relação a esse consenso, o Governo não conta, naturalmente, com o apoio do PS», frisou.

Em janeiro, o chefe do executivo comunitário, ex-líder social-democrata, tinha manifestado preferência por uma solução cautelar para Portugal após a conclusão do programa de assistência financeira, mas sustentou hoje que «a situação evoluiu favoravelmente, mais ainda do que se previa», e que, por isso, ambas as soluções, regresso direto aos mercados ou programa cautelar, são possíveis.

«Claro que um programa cautelar dá sempre mais garantias e segurança, mas se Portugal estiver em condições de dispensar um programa cautelar, melhor para todos», afirmou hoje em Bruxelas Durão Barroso.

«Eu estou convencido de que será possível ter uma saída em boas condições, mas isso será facilitado se houver um consenso que ultrapasse o Governo, pois é importante perceber que agora se trata de definir um programa de médio prazo que vai para além deste Governo e, se calhar, até, do próximo Governo», acrescentou.

Nas declarações aos jornalistas, o presidente da Comissão Europeia repetiu que considera essencial um acordo alargado em torno de uma estratégia de médio prazo, para o crescimento económico e com «horizontes de redução da despesa e do teto da dívida pública».

«Quanto maior for o consenso entre as forças políticas maior será a confiança em Portugal, portanto, menos Portugal terá de pagar de juros para financiar as suas despesas», vincou.