O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, disse esta sexta-feira que os dirigentes sindicais socialistas quiseram demonstrar ao líder do PS que «o poder não caiu à rua» e lhe reconhecem legitimidade para continuar à frente dos destinos do partido.

Carlos Silva, Nobre dos Santos e José Abraão figuram numa lista de presidentes ou secretários-gerais de sindicatos da UGT que apoiam o líder do PS, António José Seguro, numa eventual disputa com António Costa.

De acordo com informação divulgada pelo gabinete do secretário-geral do PS, o terceiro secretário-geral da história da UGT e atual presidente da central sindical, Carlos Silva, encabeça a lista de 17 personalidades da União Geral dos Trabalhadores que vem agora manifestar apoio a Seguro.

Em declarações à agência Lusa em Viseu, Carlos Silva confirmou, explicando que essa é «uma questão interna da exclusiva responsabilidade do presidente da Tendência Sindical Socialista, não afeta a central sindical nem os seus sindicatos».

«São decisões dos dirigentes socialistas da UGT, onde está a maioria dos secretários-gerais e presidentes de organizações sindicais que têm lideranças socialistas», frisou.

Carlos Silva referiu que fizeram questão de, nesta altura, serem solidários «com quem foi eleito democraticamente num congresso há um ano» e que, neste momento, está a ver a sua legitimidade posta em causa «depois de uma vitória estrondosa nas autárquicas em setembro de 2013» e de uma vitória nas europeias, no último domingo.

«É mau, quando o país precisa de um partido que dê capacidade de os portugueses acreditarem na política, de poderem ter uma alternativa credível», acontecer esta situação no PS, considerou.

Na sua opinião, era necessário «que o partido se reforçasse, se unisse, estivesse coeso» e o que está a acontecer «fragiliza claramente o PS».

«Não faz sentido que um partido que sempre respeitou os seus ideais democráticos, que se diz republicano, humanista, tenha, depois de uma vitória eleitoral, uma atuação de alguns dirigentes, figuras de relevo do PS, a porem claramente em causa a liderança do Dr. António José Seguro», acrescentou.

Para o dirigente sindical, «dá para perceber que estavam reunidos esforços internos de um conjunto de antigos e atuais dirigentes do PS para porem em causa a liderança» de António José Seguro.

«Isto foi apenas um mero argumento e foi encontrado o momento para que pudesse vir a acontecer», lamentou.