Nos últimos 25 anos deixaram o Governo três ministros por causas improváveis, um por fazer no Parlamento um gesto ofensivo, outro por contar uma anedota e esta sexta-feira João Soares, por prometer umas “salutares bofetadas”.

O primeiro, em junho de 1993, foi o então ministro do Ambiente Carlos Borrego, que contou em público uma anedota de mau gosto. Dezasseis anos depois o ministro Manuel Pinho fez um gesto também de mau gosto (alusivo a cornos) numa sessão parlamentar. E hoje João Soares demitiu-se por palavras que escreveu na rede social Facebook.

Carlos Borrego foi “gravado” por uma rádio local, Manuel Pinho filmado pelas televisões, João Soares fez a promessa numa rede social e demitiu-se, três casos que demonstram a evolução tecnológica e social, mas que têm em comum o inusitado dos motivos.

 

A anedota de Carlos Borrego

 

Em 1993, Évora viveu aquela que foi considerada a maior tragédia de que há registo na área da hemodiálise, quando morreram 25 insuficientes renais crónicos por intoxicação com alumínio.

No início desse ano, surgiram os primeiros alertas de que o sistema de tratamento de águas na unidade de hemodiálise do hospital estava avariado. A 03 de abril desse ano é divulgada a morte de 10 doentes sujeitos a hemodiálise, intoxicados com alumínio, e até junho morrem ao todo 25 pessoas.

E nesse mês, numa sessão pública, o então ministro do Ambiente, Carlos Borrego, começava a intervenção contando uma anedota: "Sabem o que é que no Alentejo - em Évora melhor dizendo - fazem aos cadáveres das pessoas que morreram ultimamente? Levaram-nos para reciclar, para aproveitar o alumínio".

Foi demitido (ou levado a demitir-se) pelo então primeiro-ministro, Cavaco Silva.

 

O gesto dos corninhos de Manuel Pinho

 

A 02 de julho de 2009 era o ministro da Economia Manuel Pinho e foi demitido, ou forçado a demitir-se, pelo então primeiro-ministro José Sócrates, poucas horas depois de no Parlamento ter feito um gesto (com os dedos junto à testa) a imitar cornos, em direção à oposição.

Em pleno debate do estado da Nação, em resposta a um comentário do líder parlamentar comunista, Manuel Pinho encostou os indicadores à cabeça, um gesto considerado “injustificável” pelo próprio primeiro-ministro.

Se no caso de Borrego uma rádio gravou a intervenção, com Pinho o canal Parlamento divulgou em direto e a imagem dos “corninhos” foi divulgada pelas televisões.

João Soares demitiu-se na sequência da polémica que causou o que escreveu no FaceBook, a promessa de umas “salutares bofetadas” ao crítico literário Augusto M. Seabra e ao colunista Vasco Pulido Valente.