O líder parlamentar do PS defendeu esta quinta-feira que o seu partido só deverá ter uma posição institucional de apoio a um candidato presidencial depois das legislativas. «Dispersar atenções» para eleições que só decorrem em 2016 pode prejudicar os socialistas. «É um erro crasso»: as legislativas são primeiro, no outono de 2015.

«O direito à palavra é sagrado no PS. Agora, na minha opinião, o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das eleições legislativas»


Ferro Rodrigues reagir aos jornalistas no final da reunião da bancada socialista, depois de confrontado com o facto de o eurodeputado do PS Francisco Assis ter manifestado, num artigo no jornal «Público», o seu apoio a uma candidatura presidencial do ex-presidente da Assembleia da República Jaime Gama.

O líder parlamentar do PS tem uma visão diferente quanto ao momento oportuno de encaixar as presidenciais no tabuleiro mediático:

«Na minha opinião, já que também tenho direito à palavra, neste momento, o fundamental é mudar este Governo, que está a desgraçar o país, e apresentar uma alternativa forte e consistente nas eleições legislativas. Tudo o que seja dispersar a atenção, é um erro político crasso. Mas é evidente que as pessoas têm o direito de cometer erros políticos crassos, todas elas sejam quem forem»

Certo é que já corre muita tinta sobre as presidenciais de 2016, com pessoas ligadas a diferentes cores políticas. Hoje mesmo, Paulo Morais assumiu-se como candidato à Presidência da República.

Outros nomes que têm surgido recentemente, mas ainda como potenciais candidatos, são os de Sampaio da Nóvoa - a TVI sabe que será o candidato apoiado pelo PS - e de  Paulo Portas, que diz estar «nem aí» para as presidenciais.  

Também já se falou em António Guterres, que rejeitou.  Também a socialista Maria de Belém escusou-se a comentar o seu nome, sugerido por Ana Gomes.

Marcelo Rebelo de Sousa entende que Manuela Ferreira Leite preenche os requisitos. Ele próprio é um possível candidato a Belém

Santana Lopes acha que encaixa no perfil, mas remeteu uma decisão para outubro. 

No caso do PS, e perante os jornalistas, Ferro Rodrigues começou por vincar a sua defesa em relação ao caráter absoluto «do direito à livre expressão» dentro do seu partido, mas entende que a prioridade são as legislativas. E insistiu:

«Não faz qualquer sentido que, numa altura em que o PS se bate contra este Governo, contra estas políticas e apresenta novas alternativas, estar a dispersar-se sobre quem cada militante socialista gostaria de ver ocupar o Palácio de Belém a partir de fevereiro de 2016. Acho que não é o momento para isso - e é um péssimo serviço» 


Depois, admitiu que haja militantes socialistas que se candidatem ao lugar de presidente da República, porque «têm esse direito». «Pode haver militantes socialistas que apoiem essas candidaturas ou outras candidaturas quaisquer. Agora, a posição institucional do PS, do meu ponto de vista, só deve ser definida depois das eleições legislativas e nunca antes. Não me ouvirão patrocinar qualquer tipo de debate anárquico sobre essa matéria», rematou.