O PCP criticou esta quarta-feira o Governo da maioria PSD/CDS-PP porque «continua a enfiar a cabeça na areia», sem perceber os resultados da política seguida, sobretudo na saúde, e a maioria condenou «linguagem bélica», garantindo preocupação com o setor.

«O problema com a realidade não é do PCP. Quem continua a enfiar a cabeça na areia é o PSD, sem avaliar as consequências das suas políticas», afirmou Paula Santos, em resposta aos reparos, após a sua declaração política, no parlamento.

O grupo parlamentar comunista tinha pedido na semana passada uma audição ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, iniciativa hoje aprovada em sede de Comissão Parlamentar de Saúde, mas ainda sem data. Os deputados comunistas tinham apontado o caso de uma doente de cancro que esperou dois anos por um exame, entre outros problemas para justificar a chamada do responsável pela tutela.

«É uma linguagem bélica, vil, miserável e sem qualquer despudor político, pegar num caso dramático, que pode ser uma falha no sistema, num universo de 70 mil colonoscopias na região de Lisboa e utilizá-lo para o discurso político é inaceitável. Entre aquilo que sonha, imagina e a realidade vai uma grande distância», tinha-se insurgido o deputado social-democrata Miguel Santos.

A deputada centrista Isabel Galriça Neto defendeu que «o respeito pelo sofrimento das pessoas e preocupação pelo acesso à saúde não são monopólio do PCP».

«O Governo vem tomando medidas para corrigir a situação gravíssima de 300 milhões de euros de dívida que ameaçaram a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde. Resolver o endividamento é um imperativo ético. Apesar do cenário de dificuldades, temos, pelo segundo ano consecutivo taxas moderadoras sem aumento», disse.

Paula Santos afirmara que «o Governo e a maioria PSD/CDS estão a impor aos portugueses a indignidade, o desrespeito pela vida e pela saúde e um retrocesso de décadas ao país» e que «nega os cuidados de saúde de que os portugueses necessitam e condena as pessoas à morte antecipada».

«Para o Governo, o que importa são os números e o negócio que os grupos económicos fazem à custa da doença dos portugueses. Os portugueses são seres humanos que precisam de cuidados de saúde, não são números», continuou a parlamentar comunista, salientando a apreciação parlamentar do PCP, marcada para quinta-feira, sobre «promiscuidade entre público e privado».

A deputada socialista Maria Antónia Almeida Santos assegurou que «as indicações que vinham no memorando (sobre o setor da Saúde) foram ultrapassadas em muito e os portugueses viram o acesso à saúde reduzido de forma inexplicável», um «direito fundamental, o primeiro a seguir à vida».

«Os serviços de urgência do país estão em rotura, com tempos de espera inadmissíveis. Há uma degradação constante das condições do exercício dos cuidados de saúde no nosso país fruto da política deste Governo. Verifica-se um retrocesso de mais de 20 anos», apontou, por seu turno, a bloquista Helena Pinto, como reporta a Lusa.